AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- É preocupante a falta de conhecimento de diversos profissionais de diferentes áreas em relação à língua
- portuguesa. Alegam essas pessoas que a simples troca de um z por um s não muda o valor de uma petição
- advocatícia, a receita de um médico ou, ainda, o relatório de um administrador. Puro engano: um texto mal escrito
- abala a imagem do profissional que o escreveu e, sem dúvida, desqualifica o trabalho. Infelizmente, o descaso com
- o nosso idioma é notório.
- Devemos ter cuidado com o que se fala e com o que se escreve, pois a nossa imagem está sempre sendo
- avaliada. A proliferação de "houveram", "menas", o uso da segunda pessoa para o pronome V.Sa. e as constantes
- derrapadas na concordância verbal podem parecer festival de mau gosto.
- Nossos alunos revelam, nos exames nacionais e internacionais, falhas incríveis em leitura e matemática.
- Somos o 53° país na classificação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Partindo desse
- princípio, o MEC lidera movimento a fim de estabelecer os fundamentos da Base Nacional Comum Curricular.
- Quer ouvir todos os agentes envolvidos no processo, mobilizando especialistas federais, estaduais e municipais.
- Louvável medida, mas como torná-la prática diante desse quadro confuso de desentendimento?
- Começa que, por tradição (europeia?), nossos currículos são estanques. As 13 matérias do ensino médio,
- por exemplo, não conversam entre si, ao contrário do que acontece em países mais desenvolvidos em educação,
- como podemos citar a Finlândia, a Coreia do Sul e a Suécia, cujas experiências conhecemos pessoalmente.
- Qualquer que seja o curso a ser seguido por nossos alunos (ou mesmo na efetivação de concursos
- públicos), o conhecimento da língua portuguesa é essencial, com a mescla dos conteúdos de morfologia e sintaxe.
- Conhecer os valores semânticos é indispensável para o correto exercício profissional e também para a comunicação
- e expressão do nosso idioma.
- Sabe-se que há dificuldades no cumprimento das obrigações de interpretação de textos, como se exige nas
- provas, e isso é consequência dos nossos crônicos deficits de leitura. Por isso mesmo, qualquer que seja o caminho
- adotado para a valorização da educação brasileira, o conhecimento da língua portuguesa é vital. Não há currículo
- em nossas escolas que deixe de priorizar os estudos de português, que é a matéria mais bem servida de horas/aula.
- Conhecer mais profundamente a língua portuguesa não deixa de ser, igualmente, um exercício patriótico.
- Como compreender os textos de Machado de Assis, por exemplo, sem o adequado domínio da nossa língua?
- Devemos conhecer as suas origens, os seus caminhos e os riscos que pairam sobre o seu futuro, com o excesso de
- oferta eletrônica descontrolada.
- O Brasil vive período de grande enriquecimento do que chamamos de avaliação. Demorou muito tempo
- para que adquiríssemos o real significado do que isso expressa, em termos de busca da qualidade. Se não
- conhecemos as nossas deficiências, como melhorar de conduta? No caso dos cuidados com a língua pátria, sempre
- existe palavra de incentivo para que ela se aperfeiçoe. Vamos reparar que, nos currículos propostos, o espaço da
- língua portuguesa é praticamente sagrado, não devendo se reduzir em proveito de qualquer outra disciplina. Não
- existe nada mais importante.
- Deve-se considerar, como fator rigorosamente prioritário, o preparo dos professores para ministrar a
- importante disciplina. Nas pesquisas feitas, registra-se sempre que o português é a primeira colocada, com uma
- tendência levemente crescente. Está à frente da grade curricular, o que é um sintoma altamente positivo, embora
- ainda insuficiente. É preciso melhorar sempre mais e aí insistimos no papel da leitura para que isso ocorra. Não nos
- anima o fato de termos poucas bibliotecas públicas, com um deficit nacional de 15 milhões de alunos sem a
- possibilidade de frequentar uma delas. Isso precisa ser corrigido em tempo hábil.
- Sabe-se que a língua é um fator fundamental da unidade nacional, base da cultura de um povo. Pode-se
- argumentar com o festival de línguas em certos países europeus, onde essa unidade fica prejudicada, embora cada
- povo lute pela preservação da sua língua como fator de independência e identidade popular. Temos a sorte e o
- destino de possuir uma só e poderosa língua de cultura. Há que se cuidar dela com todo carinho, valorizando os
- seus professores, escritores e todos os que sobre ela se debruçam. É uma forma de fortalecer a nossa cultura.
AUTOR: Arnaldo Niskier. FONTE: http://www.academia.org.br/artigos/o-poder-da-lingua-portuguesa