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números
01 a
08.
Cientistas estudam forma de
‘curar o
envelhecimento
Um
dos mitos da Grécia Antiga, que remonta
a 700 a.C., conta a história de amor de
Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão
mais velho do rei de Troia. Eos se
apaixonou por Titono e pediu ao deus Zeus
que concedesse a ele a imortalidade dos
deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna
juventude. Titono viveu por anos a fio,
definhando, esquecido pela própria Eos,
que o trancou em um quarto escuro até que,
finalmente, ele se transformou em uma
cigarra.
Alguns milênios depois, a longa
busca da
humanidade pela vida e juventude eternas
ganha contornos científicos. O primeiro
laboratório biomédico dos Estados Unidos
dedicado inteiramente a pesquisar o
envelhecimento foi criado em 1999 em São
Francisco, a poucos quilômetros do Vale do
Silício, com a missão de acabar com as
doenças relacionadas à passagem do
tempo.
Mas é
a Fundação SENS. criada em 2009 pelo
cientista da computação inglês Aubrey de
Grey, entre outros nomes, que desperta as
maiores polêmicas na comunidade
científica. Na visão de Grey, o
envelhecimento deve ser tratado como um
fenômeno simples, e nosso corpo visto como
uma máquina ou uma engenhoca que pode ser
consertada. “O motivo de termos carros que
ainda rodam após cem anos é o fato de
eliminarmos os estragos antes mesmo de as
portas caírem. O mesmo vale para o corpo
humano”, afirma o britânico.
Para desenvolver seu
modelo de pesquisa,
Aubrey de Grey olhou para os principais
processos que levam ao envelhecimento
conhecidos hoje, como perda e degeneração
das células. Para ele. basta tratá-los e
pronto: nossos problemas de saúde que
surgem com a idade acabariam. “Não have-
ria limite, assim como não há limite para
os carros funcionarem. Morreríamos somente
de causas que não têm a ver com quanto
tempo atrás nascemos. Impactos de
asteroides, acidentes etc.”, diz.
(Marília Marasciulo.
Galileu.
https://revistagalileu.globo.com,
30.07.2019. Adaptado)