Leia o texto para responder às questões de
números
01 a
07.
Persistência na educação dos
filhos
Todo mundo já ouviu estas
frases ditas por
adultos que
têm filhos: “Meu filho tem um problema”,
“Não sei mais o que
fazer”, “Eu já fiz de tudo, não tem
jeito”, “A escola tem reclamado
muito do comportamento dele”, “Nós, pais,
estamos
perdidos”, “O que eu faço?”, “Devo
procurar ajuda profissional?”
etc. Vamos tentar entender alguns pontos
dessas questões.
Primeiramente: ter filhos,
hoje, para
muitos adultos, não
deveria trazer problemas, dificuldades,
dúvidas e renúncias, e
sim delícias, prazer, satisfação e
desfrute. Ocorre que, quem
tem filhos irá enfrentar percalços,
consigo mesmo e com os
filhos, terá de fazer escolhas e se
defrontar com dilemas
e
perguntas que não têm respostas certas e
que se transformam
à medida que os filhos crescem.
Ora
é o sono, a birra, a agressividade
descontrolada e
a recusa às regras familiares; ora é o
estudo, a difícil aprendizagem
das letras e dos números, a alimentação e
a vida
social; ora é a balada, o sono sempre
desregrado, a bebida
alcoólica e outras drogas, e assim por
diante.
Então, senhores pais, é preciso aceitar o
fato de que sim,
eles dão e darão trabalho por motivos
simples: recusam o
mundo adulto ao qual são sujeitados,
precisam experimentar
e testar suas possibilidades e, portanto,
desobedecer. E, acima
de tudo, porque cada um deles é singular,
muito diferente
do filho ideal que aprendemos a querer
ter.
E é
exatamente por esse motivo que
receitas não costumam
funcionar. Ou até funcionam
temporariamente, mas as
questões que eles nos trazem sempre
retornam, de um jeito
ou de outro. Mais do que buscar respostas
indicadas para
esta ou aquela questão, é preciso olhar de
perto e de olhos
bem abertos cada um dos filhos para que,
conhecendo-os,
seja possível buscar soluções às questões
que eles apresentam.
E, mesmo assim, saber que as soluções que
encontrarmos
nunca serão mágicas.
Educar é um processo contínuo
e isso
significa que os
resultados das estratégias que usamos com
os mais novos
podem não ser imediatos ou rápidos. Mas
persistir por um
tempo é o que irá mostrar se podem
funcionar ou não.
Caso se constate que a
estratégia
escolhida não funcionou,
é preciso criar outra maneira de abordar a
questão.
Manter-se potente e resiliente na função
de mãe e de pai não
combina com as frases “Não sei mais o que
fazer” ou “Não
tem jeito”. Sempre há outras saídas
possíveis. Sempre.
Ser uma boa mãe ou um bom pai
tem a ver
com o vínculo
estabelecido com o filho, a dedicação a
ele, a disponibilidade
para enfrentar, sem esmorecer, sem
desistir, as questões que
ele cotidianamente apresenta.
(Rosely Sayão. Folha de S.
Paulo,
07.04.2015. Adaptado)