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Festa
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de dez anos.
Os três atravessam o salão, cuidadosa mas resolutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas.
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos.
- Duzentos e vinte.
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
- Que tal pão com molho? - sugere o rapaz.
-Como?
- Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.
O homem olha para os meninos.
- O preço é o mesmo - informa o rapaz.
- Está certo.
Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.
O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira.
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa.
WANOER PIROLI
Disponível em http://www.cultura.mg.gov.br/files/2011-novembro-especial.pdf
"Festa", o título do conto, representa, no contexto. um (a):
passeio corriqueiro.
evento solene.
diversão, apesar da simplicidade.
refeição rotineira.
degustação de comidas diferentes.