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Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 09.
“Aprender dormindo” parece uma possibilidade tão atraente quanto “perder peso comendo”: ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. Não à toa, muita besteira já foi dita, prometida e sobretudo vendida fazendo mau uso do santo nome da ciência, como as gravações em línguas estrangeiras para “ouvir” durante a noite.
Mas eis que surge algo que de fato se aprende enquanto inconsciente – e, de fato, só nesse estado. A descoberta vem do grupo de Noam Sobel, pesquisador do Instituto Weizmann, em Israel. Foi Sobel quem convenceu universitários a acompanhar pelo olfato um rastro de chocolate engatinhando de olhos vendados na grama, mostrando que nós, humanos, conseguimos, sim, fazer algo que achávamos ser prerrogativa de quadrúpedes.
Ele e sua equipe se valeram de uma particularidade do olfato: esse sentido tem acesso direto ao córtex cerebral, sem precisar passar pelo tálamo primeiro, e provavelmente por isso continua funcionando durante o sono, mas sem acordar quem dorme (enquanto outros estímulos podem sacudir o tálamo de seu torpor).
Sobel queria saber se essa particularidade torna o cérebro capaz de aprender inconscientemente, por condicionamento clássico, como o cachorro de Pavlov que passava a salivar ao ouvir um sino que prenunciava comida. Os voluntários humanos de Sobel eram fumantes de longa data, e passaram a semana anterior ao experimento contando quantos cigarros fumavam. No experimento, realizado durante o sono, os pesquisadores faziam os voluntários, adormecidos, inalar “aroma de cigarro” seguido ou não, na inspiração seguinte, de “aroma de peixe podre”.
Mesmo adormecido, o cérebro registrou a associação: no dia seguinte, os voluntários do grupo experimental, e só eles, fumaram de 30% a 40% menos cigarros – redução que foi passando ao longo da semana.
Curiosamente, o efeito não pode ser atribuído a uma recém-adquirida aversão ao cheiro do cigarro, pois a percepção consciente não mudou. A nova associação entre cheiro de cigarro e peixe podre deixa suas marcas nos recônditos do cérebro, sem acesso à consciência.
O curioso é que não fumantes não precisam de nada disso: para nós, cigarros já têm cheiro de... cigarro, o que é ruim o suficiente. Ah, o que o vício não faz com o cérebro.
(Suzana Herculano-Houzel, Enfim, algo que se aprende dormindo. Folha de S.Paulo, 01.09.2015. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a substituição das expressões destacadas está de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação de pronomes.
... pesquisadores faziam os voluntários … / faziam-os
... passaram a semana anterior ao experimento contando... / passaram-na
... essa particularidade torna o cérebro capaz de aprender… / torna ele
... o efeito não pode ser atribuído a uma recém-adquirida aversão … / atribuído-lhe
… ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. / lhes prometem