Leia o texto, para responder às questões
de números
01 a
09.
Ah, os orgulhosos
computadores
A
cada dia que passa, os computadores
devoram mais
tarefas. No início, eram folha de
pagamento, contabilidade e
estatística. Sucesso estrondoso, por ser
mais perfeito, mais
barato e eliminar o trabalho monótono.
Mas
certas tarefas permanecem
inatingíveis: devo me casar com a
Mariquinha? É
resposta que nem mesmo a inteligência
artificial consegue dar.
Para achar imóveis, a
internet é
imbatível. Mas, buscando
um apartamento para alugar, vivi as
agruras de uma imobiliária
que migrou a burocracia para seus
orgulhosos computadores.
No meu caso, ela se atrapalhou. São três
empresas
encadeadas. Onde estão as portas de
entrada?
Foram muitos dias e mais de
cinquenta e-
mails, esgrimindo
com uma informática misteriosa e tripulada
por humanos
que não usam o dom da voz ou da
inteligência. Muito menos
o da cortesia. O veredicto foi sumariado
pela lapidar frase (via
e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado,
tá?”
Inovadores pagam o preço dos erros.
Mas
será que eu
também o tenho de pagar? Fui vitimado pela
combinação de
informática velha – com sites que travam e
labirintos misteriosos
– com um algoritmo novo que se perdeu na
complexidade
do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o
papel dos
humanos, o computador fica à mercê de
algum programador
simplório, perdido por aí. Pobres das
cobaias que sofrem
com os titubeios dos computadores.
Imagino que a empresa do futuro conseguirá
manejar
situações
simples e lidará bem com as suas falhas
humanas
e informáticas – que se atrapalham entre
si. A inteligência
artificial avança, pela via de uma longa
curva de aprendizado
com os humanos. Mas, se os humanos
são
burros ou
bobões,
mais tempo isso levará. É a regra do
jogo.
(Claudio de
Moura Castro. Veja,
16.10.2019. Adaptado)