Leia o texto, para
responder às questões
de números
01 a 05.
O
eminente poeta Alberto de Oliveira,
segundo informações
dos jornais, está empenhado em impedir que
um proprietário
ganancioso derrube um cedro venerável que
lhe
cresce nos terrenos.
A árvore é
remanescente de antigas
florestas que outrora
existiram para aquelas bandas e viu
crescer Teresópolis já
adulta.
Não conheço essa espécie de
árvore, mas
deve ser bela
porque Alberto de Oliveira se interessa
pela sua conservação.
Homem de
cidade, tendo viajado unicamente
de cidade
para cidade, nunca me foi dado ver essas
essências florestais
que todos que as contemplam se enchem de
admiração e
emoção superior diante dessas maravilhas
naturais.
O gesto de Alberto de
Oliveira é sem
dúvida louvável e
não há homem de mediano gosto que não o
aplauda do fundo
da alma.
Desejoso de conservar a
relíquia
florestal, o grande poeta
propôs comprar, ao dono, as terras onde
ela crescia.
Tenho para mim que, à vista
da quantia
exigida por este,
ela só poderá ser subscrita por gente
rica, em cuja bolsa umas
poucas de centenas de mil-réis não façam
falta.
Aí é que me parece que o
carro pega. Não é
que eu tenha
dúvidas sobre a generosidade da nossa
gente rica; o meu
ceticismo não vem daí.
A minha
dúvida vem do seu mau gosto, do
seu desinteresse
pela natureza. Excessivamente urbana, a
nossa gente
abastada não povoa os arredores do Rio de
Janeiro de vivendas
de campo com pomares, jardins, que os
figurem graciosos
como a linda paisagem da maioria deles
está pedindo.
Os nossos arrabaldes e
subúrbios são uma
desolação.
As casas de gente abastada têm, quando
muito, um jardinzito
liliputiano de polegada e meia; e as da
gente pobre não têm
coisa alguma.
(Lima Barreto, O cedro de
Teresópolis.
Crônicas Escolhidas. Adaptado)