Leia o texto, para
responder às questões
de números
08 a 14.
Certo
discurso ambientalista tradicional
recorrentemente
busca indícios de que o problema ambiental
seja universal
(e de fato é), atemporal (nem tanto) e
generalizado (o que é desejável).
Alguma ingenuidade conceitual poderia
marcar o ambientalismo
apologético; haveria dilemas ambientais em
todos
os lugares, tempos, culturas. É a
bambificação(*) da natureza.
Necessária, no entanto, como condição de
sobrevivência. Há
quem tenha encontrado normas ambientais na
Bíblia, no Direito
grego, e até no Direito romano. São
Francisco de Assis, nessa
linha, prosaica, seria o santo padroeiro
das causas ambientais;
falava com plantas e animais.
A proteção
do meio ambiente seria, nesse
contexto, instintiva,
predeterminando objeto e objetivo. Por
outro lado, e este é
o meu argumento, quando muito, e agora
utilizo uma categoria
freudiana, a pretensão de proteção
ambiental seria pulsional,
dado que resiste a uma pressão contínua,
variável na intensidade.
Assim, numa dimensão qualitativa, e não
quantitativa, é que
se deveria enfrentar a questão, que também
é cultural. E que
culturalmente pode ser abordada.
O
problema, no entanto, é substancialmente
econômico.
O dilema ambiental só se revela como tal
quando o meio ambiente
passa a ser limite para o avanço da
atividade econômica.
É nesse sentido que a chamada
internalização da externalidade
negativa exige justificativa para uma
atuação contra-fática.
Uma nuvem
de problematização supostamente
filosófica
também rondaria a discussão.
Antropocêntricos acreditam que
a proteção ambiental seria narcisística,
centrada e referenciada
no próprio homem. Os geocêntricos piamente
entendem que a
natureza deva ser protegida por próprios e
intrínsecos fundamentos
e características. Posições se
radicalizam.
A linha de argumento do
ambientalista
ingênuo lembra-
-nos o “salto do tigre” enunciado pelo
filósofo da cultura Walter
Benjamin, em uma de suas teses sobre a
filosofia da história.
Qual um tigre mergulhamos no passado, e
apenas apreendemos
o que interessa para nossa argumentação. É
o que se faz,
a todo tempo.
(Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy.
Disponível em:
https://www.conjur.com.br/2011.
Acesso em:
10.08.2019. Adaptado)
(*) Referência ao personagem
Bambi,
filhote de cervo conhecido como
“Príncipe da Floresta”, em sua saga pela
sobrevivência na natureza.