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A frase com a concordância correta, de acordo com a...

Leia o texto para responder às questões de números 11 a 15.


Com Bernardo, Lenine e Grassi,

num sábado de outono, no Inhotim


“Sabe de uma coisa? Nós vivemos muito pouco”, disse Bernardo. Lenine tocou de leve em seu antebraço, e concordou, emendando com uma história da Dona Terezinha, vizinha de seu sítio no Vale das Videiras, em Petrópolis, onde instalou o seu orquidário. Ela tem uma sapucaia, que produz um ouriço usado no cultivo de algumas espécies. Bateu na sua casa:

– Dona Terezinha, eu vi que a senhora tem uma sapucaia. A senhora pode me ceder uma muda? Preciso do ouriço para algumas orquídeas.

– Posso! Mas quem planta sou eu.

Dona Terezinha colheu a muda, levou, plantou, fez a reza e molhou. Ia embora, ouviu, pelas costas:

– Dona Terezinha, muito obrigado. Mas quando é que vou poder colher o ouriço?

Pensou, coçou a cabeça, e... “daqui a uns 60 ou 70 anos, meu filho”.

Uma longa gargalhada explodiu na mesa. O show do Lenine em Inhotim, neste sábado, trouxe um sopro de vida eterna ao ambiente. A conversa pausada, cheia de casos e histórias, era observada por Grassi com atenção. Inhotim está vivo, cada vez mais vivo, era a mensagem, era o astral no meio daquele paraíso que de perdido não tem nada.

Lembrando a polêmica sobre a filosofia, Lenine mandou:

– Aristóteles jogou a toalha. No final da vida, depois de tanta filosofia, escreveu que o mais importante era rir.

E se o riso precede a felicidade e, com ela, os hormônios da longevidade, viveremos um pouco mais depois deste sábado musical e iluminado de outono, em Inhotim.

Com a noite chegando, os corações se juntaram naquela mesa. A vegetação nos acolheu, luz e sombra bordando os contrastes, pensamentos voando. Um sombrio Bernardo se revelou. Retirado desde os últimos acontecimentos, vive serenando as reflexões, salvando lembranças. Mas não desiste do sonho:

– Com o rompimento da barragem, tivemos que reduzir custos. Outro dia descobri que acabaram com o Coral e a Orquestra formada por gente da região. Mandei voltar. Tem coisa que não pode cancelar.

Bernardo, neste ponto, se afasta da gestão e olha para a transcendência da arte como solução. Não adianta cortar custo de coisas que são para sempre. Música, canto, arte. O Inhotim tem, agora, responsabilidade dobrada: a revitalização de toda uma região devastada pela tragédia.


(Afonso Borges. https://blogs.oglobo.globo.com, 28.04.2019. Adaptado)

A frase com a concordância correta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:


A

Restam-nos muito pouco tempo para viver, não é mesmo?


B

Casos e histórias é que animavam a conversa, pausada.


C

Música, canto, arte, tudo isso são essenciais à vida.


D

Nesses tempos urgem a revitalização da região de Inhotim.


E

Assim como ocorreram com outras artes, cortaram gastos com música.