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Texto II
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O EMPREGO
Um dos debates mais intrigantes do momento é sobre o futuro do emprego. O uso intensivo da tecnologia da informação, da inteligência artificial e das máquinas que aprendem vai implicar o fim do emprego formal? São sombrias as perspectivas? A maior parte das pessoas vai precisar de transferências governamentais para sobreviver?
É uma questão em aberto e que vai necessitar um considerável esforço da sociedade e dos governos para que o desfecho seja positivo. Deixar ao sabor das forças de mercado, sem nenhuma intervenção governamental, não parece definitivamente o melhor caminho. É que as empresas buscam maximizar o lucro e para tanto vão dar preferência a modelos que reduzam os custos, sem maiores preocupações com a perda dos postos de trabalho. Relevante, portanto, o papel do setor público: embora não deva obviamente impedir o progresso tecnológico, há de assegurar que esse progresso seja inclusivo, implicando a geração de empregos de alta qualidade, com bons salários.
Em um excelente artigo (Where do good jobs come from? Project Syndicate, 26/04/19), Daron Acemoglu defende que o governo invista em educação e em tecnologias de base, a exemplo do ocorreu com a internet, cuja criação e desenvolvimento deveram-se majoritariamente a esforços governamentais. Além disso, deve criar um sistema de proteção para os trabalhadores e um sistema tributário que, entre outras funções, observe o seu papel redistributivo. O autor exemplifica com as ações governamentais do pós-guerra, em que diversos países implementaram medidas nessa direção com muito sucesso.
Pensar de forma ideológica costuma atrapalhar a adoção de boas políticas públicas. Muitos liberais vão argumentar com a resposta pronta de que o governo deve interferir o mínimo possível no atual cenário econômico. Em vez de ideologia, observar o que funciona e o que não funciona costuma ser muito mais útil. Gerar empregos de qualidade no mundo da inteligência artificial e da robótica é um grande desafio, exigindo respostas pragmáticas e efetivas.
EDILBERTO CARLOS PONTES LIMA
Disponível em https://www.opovo.com.br/jornal/opiniao/2019/05/02/inteligenciaartificial-
e-o-emprego.html. Acesso em 03/05/2019.
No trecho, “...cuja criação e desenvolvimento deveram-se majoritariamente a esforços governamentais”, a colocação do pronome oblíquo destacado pode ser justificada pela ocorrência
da ênclise, por haver um verbo flexionado em oração subordinada.
da próclise, pois vem antecedido de um termo de sentido negativo.
da ênclise, que, nesse caso, é opcional, podendo ocorrer também a próclise.
da próclise, pois vem antecedido de um advérbio.