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Considerando a correção gramatical do texto, os conteúdos...

Texto 4 para responder as questões de 15 a 18.



1 Ocorreu um fato no final de 2012, em Navarra,
Espanha. Em uma corrida, o queniano Abel Mutai, medalha de
ouro nos três mil metros com obstáculos em Londres, estava a
4 pouca distância da linha de chegada e, confuso com a
sinalização, parou para posar para fotos pensando que já havia
cumprido a prova. Logo atrás vinha outro corredor, o espanhol
7 Iván Fernández Anaya, que começou a gritar para que o
queniano ficasse atento, mas este não entendia que não havia
ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, então, o
10 empurrou em direção à vitória.
Com a imprensa inteira ali presente, um jornalista,
aproximando o microfone do corredor espanhol, perguntou:
13 “Por que o senhor fez isso?”. O espanhol replicou: “Isso o
quê?”. Ele não havia entendido a pergunta — e quem sabe um
dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a
16 pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida —,
pois o espanhol não pensou que houvesse outra coisa a ser feita
que não aquilo que ele fez. O jornalista insistiu: “Mas por que o
19 senhor fez isso? Por que o senhor deixou o queniano ganhar?”.
“Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista
continuou: “Mas o senhor podia ter ganhado! Estava na regra,
22 ele não notou...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória,
qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele
perdesse?”. E continuou, então, dizendo uma coisa bonita que
25 envolve a questão da ética do cotidiano: “Se eu ganhasse desse
jeito, o que ia falar para a minha mãe?”. Como mãe é matriz de
vida, fonte de vida, ela é a última pessoa que se quer
28 envergonhar. Porque ética tem a ver com vergonha na cara,
com decência, e, repito, a última pessoa que se quer
envergonhar é a mãe.
31 É curioso, mas até bandido pode ser prova disso. Por
exemplo, já houve situações de assalto a banco com reféns em
que o sujeito, mesmo com a polícia toda em volta fazendo o
34 cerco, não se rende. Aí a polícia chama a mãe dele. Ela chega,
com a bolsinha no braço, e diz: “Sai daí, menino!”. E ele sai. É
por isso que considero essa ideia da matriz do desavergonhar
37 uma coisa extremamente inspiradora para que jamais
venhamos a adotar isso a que me referi como ética da
39 conveniência.

CORTELLA, Mario Sergio. Ética e vergonha na cara! Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2014, p. 9-11, com adaptações.

Considerando a correção gramatical do texto, os conteúdos nele apresentados e sua tipologia textual, assinale a alternativa correta.


A

A forma verbal “houve” (linha 32) poderia ser corretamente substituída por existiu.


B

Na linha 29, o deslocamento do pronome “se” para imediatamente depois de “envergonhar” manteria a correção gramatical e os sentidos originais do texto.


C

O texto apresenta passagens narrativas e dissertativas; as narrativas são utilizadas para dar sustentação aos argumentos da ideia que se pretende defender: a de que a ética está relacionada com decência, honradez, dignidade.


D

A acentuação gráfica dos vocábulos “três” (linha 3), “já” (linha 5) e “atrás” (linha 6) justifica-se pela mesma regra.


E

A ética da conveniência é a que leva o assaltante de um banco, que mantém reféns e está cercado pela polícia, a render-se à sua mãe, que lhe dá ordens de sair do banco.