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Uma das bases de estratégias de comunicação negocial...

O BOOM DOS NEGÓCIOS GLBT?


Franco Reinaldo
Imagem associada para resolução da questão

É fato que o turismo GLS tem crescido nos últimos tempos. Somente a Associação Brasileira de Turismo GLS, a qual presido, saltou de vinte para mais de cem associados no último ano. As paradas também estão aí mostrando o potencial do segmento, são mais de 140 acontecendo em todo o Brasil. A de São Paulo, segundo a SP TURIS, atraiu 200 mil turistas em 2007, transformando-se no maior evento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) do mundo e gerando mais de 300 milhões para a economia da cidade. Pipocam agências, operadoras, hotéis, receptivos, eventos, festas e outros produtos e serviços.
Porém, a grande questão que surge, principalmente em mercados emergentes como o nosso, é como os empresários têm se preparado para atender a esta demanda. Americanos, europeus, canadenses e australianos já convivem há muito com turistas gays e lésbicas e aprenderam a entender suas necessidades de consumo, hábitos e comportamentos. Nesses países, além de um vasto material de consulta e pesquisas em geral patrocinadas por órgãos públicos, existem empresas de consultoria, marketing e comunicação especializadas para assessorar empreendedores a capturar o consumidor GLBT com sucesso.
E o Brasil? Bem, nosso país é um caso a parte. Poucos anos atrás, falar em turismo GLBT era quase pecado. Lembro que, quando abri a Álibi em 1996, operadora exclusiva para o segmento, meus amigos do trade turístico acharam que o negócio não iria durar seis meses e que era uma temeridade investir tempo e dinheiro em um segmento absolutamente desconhecido e envolto em questões tão sensíveis como o preconceito.
A Álibi viveu mais de dez anos de sucesso, passando incólume por várias crises aéreas, 11 de setembro, gripe aviária, tsunami, entre outros eventos que derrubaram muitas empresas do setor. Foram, porém, anos de muito trabalho, acertos e erros, para compreender não só o universo GLBT como também a realidade brasileira, aliás bem diferente daquela vivida por gays e lésbicas de países mais desenvolvidos.
É gratificante olhar o mercado brasileiro e ver grandes empresas, redes hoteleiras, centenas de agências e operadoras trabalhando o segmento hoje em dia. O grande problema, porém, está na consistência da maioria desses empreendimentos. Parece que tudo e todos acordaram para o “segmento” que gasta mais, viaja mais e consome de tudo. Mas será que acordaram mesmo? Resorts exclusivos, cruzeiros fretados, pousadas gays e mais uma infinidade de produtos e serviços são lançados no mercado indiscriminadamente sem que seus empreendedores façam a si mesmos a pergunta mais básica de mercado: existe demanda para este tipo de produto?
Pelo resultado, acredito que não.
Aparentemente, não houve em nenhum dos casos que acompanhei primeiro de dentro da operadora Álibi, agora como presidente da ABRAT, a preocupação em perguntar ao consumidor final desses produtos se eram adequados, se interessavam, se o preço estava bom.
O cruzeiro para gays e lésbicas fretado em 2005 para percorrer a costa brasileira de Santos a Florianópolis, por exemplo, esqueceu de atender aos seus consumidores em potencial em várias frentes. A primeira foi sua comunicação, que apresentava a viagem como o “cruzeiro cor de rosa”. Que gays andam de cor de rosa por aí? Quais lésbicas se identificam com essa cor? Essa infeliz escolha já indica aos eventuais consumidores homossexuais de que quem desenvolveu a estratégia de marketing não está em sintonia com seu mercado e não tem a menor idéia de como agradá-lo. O estereótipo, ao contrário, funcionou para espantar gays e lésbicas com um mínimo de senso crítico.
(Parcialmente adaptado. www.gaybrasil.com.br. 04/01/2008)

Uma das bases de estratégias de comunicação negocial utilizada por uma empresa que fretou um cruzeiro para gays e lésbicas no ano de 2005 foi usa a expressão “cruzeiro cor de rosa”. Essa expressão semanticamente possui uma conotação, para o seguimento exposto, ruim. No entanto, para a construção de sentidos do texto, a mesma expressão se valeu para substituir e enfatizar uma outra expressão. Esta afirmativa se vale da seguinte figura de linguagem:


A

Metáfora.


B

Comparação.


C

Antítese.


D

Prosopopéia


E

Metonímia.