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Leia os textos II e III para responder às questões 06, 07 e 08.
Texto II
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.
Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
(Disponível em: ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Martin Claret, 1999. p. 17.)
Texto III
(Disponível em: http://quadroquadro.blog.br/wpcontent/uploads/2012/10/ast_14.jpeg.)
Sobre o texto II, é correto afirmar que o narrador
compara ironicamente suas memórias as de Pentateuco, a fim de obter a mesma respeitabilidade das memórias da escritura bíblica.
reforça a estética realista ao utilizar o paradoxo, uma figura de pensamento, para descrever o processo de tessitura textual da referida obra literária.
mostra o contraste entre ser um defunto autor e um autor defunto no tocante ao foco narrativo e na composição do personagem que não é o principal.
apresenta possibilidades distintas de se compor uma narrativa na estética realista, em contraste com as demais tendências literárias em que, o foco narrativo é estanque.