Texto II, para
responder às questões de 5
a 8.
Estatutos do homem
Artigo I
Fica decretado que
agora vale a verdade.
Agora
vale a vida, e, de mãos dadas, marcharemos
todos pela vida
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verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da
semana,
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inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a
converter-se em manhãs de
domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste
instante, haverá
girassóis em todas as
janelas, que os
girassóis terão direito a
abrir-se dentro
da sombra; e que as
janelas devem
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permanecer, o dia inteiro, abertas para o
verde onde cresce a
esperança.
Artigo IV
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Fica decretado que o homem não
precisará
nunca
mais duvidar do homem. Que o homem
confiará no homem
como a palmeira confia no
vento, como o
vento confia no ar,
19 como o ar confia no campo
azul do céu.
Parágrafo único: O homem confiará no
homem
como um menino confia em outro
menino.
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Artigo
VI
Fica
estabelecida, durante dez séculos, a
prática
sonhada pelo profeta Isaías, e o
lobo e o
cordeiro pastarão
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juntos, e a comida de ambos terá o mesmo
gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica
estabelecido
o reinado
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permanente da justiça e da claridade, e a
alegria será uma
bandeira generosa para
sempre desfraldada
na alma do
povo.
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Artigo
IX
Fica
permitido que o pão de cada dia tenha
no
homem o sinal de seu suor. Mas que
sobretudo tenha
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sempre o quente sabor da ternura.
Artigo XI
Fica decretado, por
definição, que o homem
é um
37 animal que
ama e que por isso é belo,
muito mais belo que a
estrela da
manhã.
Artigo
Final
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Fica proibido o uso
da palavra liberdade,
a qual será
suprimida dos dicionários e do
pântano
enganoso das bocas.
A partir deste instante, a
liberdade será
algo vivo e
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transparente como um fogo ou um rio, e a
sua morada será
sempre o coração do
homem.
Santiago do Chile, abril de 1964.
Thiago de Melo.
Faz escuro, mas eu canto.
Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 9ª ed., 198s, p.
19 (com adaptações).