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01 Havia minutos que, percorrendo a Rua da Quitanda em sentido oposto à direção do carro, avistara a moça
02 recostada nas almofadas e sentira a seu aspecto viva impressão. Sem disfarce ou acanhamento, recostando-se
03 à ombreira de uma porta de escritório, esqueceu-se naquela ardente contemplação.
04 O coração é um solo, vale onde brotam as paixões, como os outros vales da natureza inanimada, ele tem
05 suas estações, suas quadras de aridez ou de seiva, de esterilidade ou de abundância.
06 Depois das grandes borrascas e chuvas, os calores do sol produzem na terra uma fermentação que forma
07 o húmus; a semente, caindo aí, brota com rapidez. Depois das grandes dores e das lágrimas torrenciais, forma-
08 se também, no coração do homem, um húmus poderoso, uma exuberância de sentimento que precisa de
09 expandir-se. Então um olhar, um sorriso que aí penetre é semente de paixão e pulula com vigor extremo.
10 O moço parecia estar nessas condições: ele trajava luto pesado, não somente nas roupas negras, como na
11 cor macilenta das faces nuas e na mágoa que lhe escurecia a fronte.
Adaptado de ALENCAR, José de. In https://pt.wikisource.org/wiki/Página:A_pata_da_Gazela.djvu/16.
Com base no conhecimento gramatical segundo o padrão culto da língua portuguesa, no tocante a este trecho “que precisa de expandir-se” (l. 08 e 09), é correto afirmar que:
foi colocado, de forma errônea, o pronome oblíquo átono SE.
deveria haver sido empregada a forma pronominal A QUAL em vez de QUE.
a forma verbal PRECISA teria de ser pluralizada para concordar com o sujeito composto.
o emprego da preposição DE é facultativo, embora a sua supressão seja bastante recorrente.