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Em Delgadas flautas erguem-se para o céu e melodias frágeis...

Para responder às questões de 01 a 10, leia o texto abaixo, extraído do conto O delírio.


1 O dia está alto e forte quando se levanta. Procura os

2 chinelos embaixo da cama, tateando com os pés,

3 enquanto se aconchega no pijama de flanela. O sol

4 começa a cobrir o guarda-roupa, refletindo no chão o

5 largo quadrado da janela.

6 Sente a cabeça endurecida na nuca, os movimentos

7 tão difíceis. Os dedos dos pés são qualquer coisa

8 gelada, impessoal. E os maxilares presos, cerrados. Vai

9 até a pia, enche as mãos de água, bebe avidamente e

1 O ela se balança dentro dele como num frasco vazio.

11 Molha a testa e respira desafogado.

12 Da janela enxerga a rua clara e movimentada. Guris

13 brincam de botão _____ porta da Confeitaria Mascote, um

14 carro buzina junto ao botequim. As mulheres, de sacola

15 na mão, suadas, vêm da feira. Pedaços de nabos e

16 alfaces se misturam à poeira da rua estreita. E o sol,

17 puro e cruel, espalhado por cima de tudo.

18 Afasta-se com desgosto. Volta para dentro, olha a

19 cama desfeita, tão familiar após a noite insone ... A

20 Virgem-Mãe agora se destaca, nítida e dominadora, sob

21 _____ luz do dia. Com as sombras, ela também um vulto,

22 é mais fácil descrer. Vai andando devagar, arrastando

23 as pernas moles, levanta os lençóis, bate no travesseiro

24 e mete-se lá dentro, com um suspiro. Torna se tão

25 humilde diante da rua viva e do sol indiferente ... Na sua

26 cama, no seu quarto, os olhos fechados, ele é rei.

27 Encolhe-se profundamente, como se lá fora

28 chovesse, chovesse, e aqui uns braços silenciosos e

29 mornos atraíssem-no e o transformassem num menino

30 pequeno, pequeno e morto. Morto. Ah, é o delírio ... É o

31 delírio. Uma luz muito doce se espalha sobre a Terra

32 como um perfume. A lua dilui-se lentamente e um sol-

33 menino espreguiça os braços translúcidos ... Frescos

34 murmúrios de águas puras que se abandonam aos

35 declives. Um par de asas dança na atmosfera rosada.

36 Silêncio, meus amigos. O dia vai nascer.

37 Um queixume longínquo vem subindo do corpo da

38 Terra ... Há um pássaro que foge, como sempre. E ela,

39 arquejante, rompe-se de súbito com estrondo, numa fe-

40 rida larga ... Larga como o Oceano Atlântico e não como

41 um rio louco! Vomita borbotões de barro a cada grito.

42 Então o sol apruma o tronco e surge inteiro,

43 poderoso, sangrento. Silêncio, amigos. Meus grandes e

44 nobres amigos, ides assistir a uma luta milenar. Silêncio.

45 Da Terra rasgada e negra, surgem um a um, leves

46 como o sopro de uma criança adormecida, pequenos

47 seres de luz pura, mal pousando no solo os pés

48 transparentes ... Cores lilases flutuam no espaço como

49 borboletas. Delgadas flautas erguem-se para o céu e

50 melodias frágeis rebentam no ar como bolhas. As

51 róseas formas continuam _____ brotar da terra ferida.

52 De repente, novo rugido. A Terra está tendo filhos?

Autor: Clarice Lispector (adaptado).

Em Delgadas flautas erguem-se para o céu e melodias frágeis rebentam no ar como bolhas (l. 49- 50), tem-se, em ambas as orações:



A

Oração sem sujeito.



B

Sujeito indeterminado.



C

Sujeito desinencial.



D

Sujeito simples.



E

Sujeito composto.