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Atenção: As questões de números 61 a 70 referem-se ao texto que segue.
Coisas vagas
Uma carta de P. V., queixando-se de que ainda não respondi à sua interpelação.
Também, amigo P. V., as suas perguntas versam assuntos tão vagos, tão difíceis de responder: poesia e outras coisas afins... A culpa é um tanto minha, que quase unicamente de tais coisas trato nestas páginas, as quais – da mesma forma que mestre João Ribeiro deu a um livro seu o subtítulo de “crônica de vário assunto” – bem poderiam denominar-se “crônicas de vago assunto”.
Ah, nem queira saber como eu invejo um amigo médico que tenho e que recebe cartas assim:
“Como posso ter certeza de que vou ter um bebê? Quais são os primeiros sinais de gravidez?”
Isso sim, que é pergunta precisa, sobre assunto urgente, e que traz logo uma resposta exata, definitiva, única. Mas poesia é coisa que não se explica: sente-se ou não se sente...
P. S. – Se não quiser sentar-se, pior para você, amigo P. V.
Mas, para que não se diga que só me interessam coisas vagas, eis aqui uma notícia que acabo de ler num dos últimos números d´ O Cruzeiro, na seção “O impossível acontece”:
“Robert Tucker, de Boston, processado por dar álcool
a beber a seu filho, de três anos de idade, em vez de leite,
foi absolvido porque as leis do Estado de Massachusetts
proíbem ministrar álcool a menores, mas somente entre
os sete e os dezessete anos.
” Está vendo? Quando a lei é só a lei, inteiramente ao pé da letra, o espírito da justiça fica uma coisa tão vaga...
(Adaptado de Mário Quintana, Na volta da esquina)
Está empregado em sentido conotativo o elemento sublinhado em:
As leis de Massachusetts proíbem ministrar álcool a menores entre os sete e os dezessete anos.
Pode causar espécie a circunstância em que se deu a absolvição de Robert Tucker.
Mário Quintana julga muito vagas as perguntas que versam assuntos como a poesia e afins.
O poeta sente, por vezes, inveja da presteza com que um cientista pode responder a certas perguntas.
É no reino da poesia que um poeta se sente à vontade, ainda quando não encontre explicações para o fenômeno poético.