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No trecho “A Livraria Argumento, do Rio, que tem em suas...

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Q1472607
Teclas de Atalhos
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Ano: 2019
Prova: CPCON UEPB - Prefeitura - Auxiliar de Limpeza Urbana - 2019

Leia com atenção o texto abaixo para responder as questões de 01 a 07:


O Café do Próximo


(MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008.)


  1. Foi em Praga, na República Tcheca, que surgiu o hábito do “café pendente”. Tudo começou com o
  2. personagem de um livro. Ele entra num bar, toma um café e, quando vem a conta, ele paga dois, explicando
  3. pra garçonete: “Pago o meu e deixo um pendente”. Inaugurou-se assim o costume de se deixar pago dois,
  4. para o caso de surgir alguém sem trocado para um cafezinho.
  5. A Livraria Argumento, do Rio, que tem em suas dependências o charmoso Café Severino, adotou esse
  6. esquema, rebatizando-o de “café do próximo”. Colocou um quadro-negro na entrada e ali vai anotando
  7. todos os cafés pendentes do dia, aqueles que já foram pagos. Às vezes tem dois, às vezes três, às vezes
  8. nenhum. Quem chega sem grana e vê ali no quadro que há um café pendente, pode pedi-lo sem
  9. constrangimento. Quando voltar outro dia, com dinheiro, poderá, se quiser, pagar dois e retribuir a gentileza
  10. para o próximo desprevenido. E assim mantém-se a corrente, e ninguém fica sem café.
  11. Num país como o nosso, com tanta gente passando dificuldades e com governantes tão
  12. desinteressados no bem estar social, essa história me pareceu quase uma parábola. Num cantinho do Rio de
  13. Janeiro, uns pagam os cafés dos outros, colocando em prática o tal “fazer o bem sem olhar a quem”. Claro
  14. que é apenas um charme que a livraria oferece, sem pretensão de mudar o mundo, mas eu fico pensando que
  15. esse tipo de mentalidade poderia ser mais propagado entre nós. Imagine se a moda pega em açougues,
  16. mercados, cinemas. Você compra seis salsichões e paga sete, deixando um pendente. Você faz as compras
  17. no mercado e deixa dois quilos de arroz pendentes. Vai ao cinema e, em vez de comprar uma entrada,
  18. compra duas.
  19. Em todos os estabelecimentos comerciais do país, haveria um quadro-negro avisando as pendências
  20. destinadas ao próximo. Não soluciona nada, mas é simpático. Tá bom, eu sei, posso até ver a confusão. Uns
  21. não iriam topar deixar pago nem um copo d'água para estes “vagabundos que não trabalham”. Alguns
  22. comerciantes rejeitariam a proposta sob o argumento de que seu estabelecimento vai ficar cheio de
  23. “mendigos". Realmente, talvez não seja uma boa ideia para ganhar as ruas, ao menos não num país onde a
  24. carência é tanta, a falta de segurança é tanta, a desordem é tanta e a malandragem, nem se fala.
  25. Melhor deixar o “café do próximo” como um charme a mais dentro de uma livraria carioca. Mas de
  26. uma coisa não tenho dúvida : esse exemplo pequeníssimo de boa vontade terá que um dia ser ampliado por
  27. todos nós. Vai ter uma hora em que a gente vai ter que parar de blábláblá e fazer alguma coisa de fato. Ou a
  28. gente estende a mão pro tal do próximo, ou o próximo vai continuar exigindo o dele com uma faca apontada
  29. pra nossa garganta. Esperar alguma atitude vinda de Brasília? Aqueles não são os próximos, aqueles são os
  30. cada vez mais distantes. Deles não esperemos nada. Ou a sociedade se mexe e estabelece novas formas de
  31. convívio social, com ideias simples, mas operacionais, ou o café do próximo vai nos custar cada vez mais
  32. caro.

No trecho “A Livraria Argumento, do Rio, que tem em suas dependências o charmoso Café Severino, adotou esse esquema, rebatizando-o de café do próximo”, o sujeito do verbo adotar é:


A

Indeterminado.


B

Implícito.


C

Determinado simples.


D

Determinado composto.


E

Inexistente.