COM BASE NO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 1 A 10.
O desafio da equidade
Claudia Costin
- Em tempos de generosidade restrita e de vocalização aberta de preconceitos, nada
- parece mais fora de moda do que falar de equidade. Mas é exatamente por esse quadro, em
- que se crê que cabe a cada um cuidar de sua vida na disputa por sucesso, que se torna
- urgente pensar em igualdade de oportunidades ou, em outros termos, que todos possam sair da
- mesma linha de partida.
- Ora, se, como divulgou o IBGE nesta semana, a formação e os rendimentos futuros
- dos filhos dependem, em boa medida, da escolaridade dos pais, não há nenhuma justiça na
- disputa. Para construir um cenário mais justo, em que pobreza e exclusão não sejam destino, a
- educação pode ser um mecanismo.
- Para tanto, deve-se começar cedo na vida de uma pessoa, de acordo com o relatório
- do Unicef "Oportunidades justas para cada criança", com educação infantil de qualidade, além
- de cuidados e nutrição adequados. Na falta de vagas para todos, nesse contexto, a prioridade
- nas creches públicas deveria ser para os mais pobres, que delas dependem para reduzir a
- desigualdade no seu desempenho futuro.
- A abordagem não para por aí. O ensino deve acontecer de forma que todos aprendam,
- não apenas os já motivados ou com um bom repertório cultural na família. A concepção de um
- sistema competente de identificação de falhas de formação e de reforço escolar, associado com
- uma abordagem mais inclusiva no processo de ensino, é fundamental.
- A escola deve ser apoiada num esforço para tratar de forma diferente cada aluno e
- esta é a grande diferença entre equidade e igualdade: para distintas necessidades e estilos de
- aprendizagem, recursos e processos adaptados a elas. Isso inclui alunos com deficiência,
- superdotados ou com fragilidades de formação. Trata-se de um desenho universal de
- aprendizagem que contemple a todos.
- A busca da equidade demanda também atrair os melhores professores para os alunos
- que deles mais precisam. Isso pode significar pagar mais para professores que dão aulas em
- favelas em áreas violentas, em escolas rurais ou locais isolados. Essas escolas precisam
- também de maior suporte para assegurar que os alunos não abandonem as aulas e, de fato,
- desenvolvam tanto competências cognitivas como socioemocionais.
- Finalmente, cabe a cada nível de escolaridade preparar a transição para a etapa
- seguinte e, ao absorver alunos com falhas de formação, não lavar as mãos. Um jovem
- universitário despreparado pode avançar muito se a escola criar programas de nivelamento ou
- cursos de verão para os que ainda não estão preparados. É possível construir um país mais justo
- para todos! Todos quer dizer todos.
Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudia-costin/2016/11/1833223-no-desafio-da-
equidade-todos-quer-dizer-todos.shtml>.
Acesso em: 18 nov. 2016.