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Há predicado verbal em

AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


1 A ideia de poder escolher um embrião saudável abre portas para discussões sobre a possibilidade

2 de definir outros aspectos genéticos dos bebês, como a cor dos olhos, dos cabelos ou tipo físico.

3 Entretanto, especialistas afirmam que ainda não existe tecnologia capaz de criar o superbebê.

4 Para o médico geneticista Salmo Raskin, um dos motivos é que não se tem conhecimento completo

5 para analisar todos os genes. "Nós não conhecemos todos os genes relacionados a cor dos olhos ou a cor

6 da pele. Além disso, já é complexo analisar dois genes. Ter de analisar 200 é absolutamente impossível

7 de se realizar hoje", afirma.

8 "A manipulação genética, atualmente, é uma grande bobagem, pois nós ainda não conseguimos

9 afirmar que um olho vai ser azul ou castanho", diz o geneticista Ciro Dresch Martinhago. (MS)

10 Selecionada em laboratório com base em critérios genéticos para salvar a irmã, Maria Clara

11 Reginato Cunha já é considerada um marco na ciência brasileira. O nascimento dela, em fevereiro,

12 mostrou evidente progresso na pesquisa na área no país. O reverso da medalha, porém, tem trazido

13 questionamentos bioéticos, com novo combustível para antigas polêmicas: é correto fazer descarte de

14 embriões sadios? Seleção em laboratório não se confunde com eugenia? Estamos em busca do bebê

15 perfeito? Isso é certo?

16 De acordo com o geneticista que atendeu os pais de Maria Clara, Ciro Dresch Martinhago, os

17 embriões excedentes em um procedimento de seleção genética podem ser tanto descartados, quanto

18 congelados. "É uma decisão do casal, mas na maioria das vezes os embriões são descartados", explica.

19 Segundo o professor de genética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Salmo Raskin,

20 o problema não nasceu com a seleção genética. "A fertilização in vitro também gera embriões

21 sobressalentes. A diferença é que, na seleção genética, os descartados geralmente possuem doença",

22 afirma.

23 O assessor da comissão Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),

24 padre Rafael Fornazier, defende que "é louvável a busca de soluções para sanar o problema da esterilidade,

25 porém, isso deve ser feito no respeito à dignidade da criança, que tem o direito de ser o fruto da união

26 conjugal dos pais."

27 Para o presidente regional da Sociedade Brasileira de Bioética e coordenador do mestrado de

28 Teologia da PUCPR, Mario Antonio Sanchez, o descarte é um problema em cima do outro. "Se é possível

29 selecionar um dos embriões é porque ele está vivo e tem identidade. Mesmo o congelamento, é um

30 descarte a longo prazo", afirma.

31 "Ao produzir vários embriões, a seleção genética aparece, cada vez mais, como possibilidade de

32 escolha de uma criança mais perfeita. Aqui cabe a pergunta: não seria isso uma forma de eugenismo,

33 reprovado pelo Conselho Federal de Medicina?", questiona o padre Fornazier. Para Sanchez, a seleção

34 genética pode ser, sim, uma forma de eugenia. "Não podemos definir que alguém vale pelos seus traços

35 biológicos e descartar os inaptos", opina.

36 O professor de reprodução humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Karam Abou Saab

37 conta que a legislação permite a seleção para evitar doenças. Mas, no caso de Maria Clara e sua irmã

38 Maria Vitória, a compatibilidade também foi motivo de descarte. "Embriões sadios, mas que não são

39 compatíveis, também acabam sendo excluídos. Isso não é justo, nem ético, pois não posso descartá-los

40 sem motivos sérios", destaca Saab.

41 O médico Ciro Martinhago rebate dizendo que a seleção de embriões é permitida e que, no caso de

42 Maria Clara, houve preparação dos pais. "Eu fiz o que considero ético. Conversei com o casal mais de um

43 ano antes da fertilização, para que houvesse consciência de que eles queriam outro filho e para a menina

44 não se sentir usada por ter nascido para salvar a irmã."

45 O nascimento de Maria Clara Reginato Cunha mostrou que a ciência brasileira avançou na seleção

46 de embriões. A irmã mais velha de Maria Clara, Maria Vitória, de 5 anos, sofre com uma doença genética

47 hereditária, a talassemia major que causa uma produção menor de glóbulos vermelhos na medula óssea.

48 Os pais dela, Jênyce Carla Reginato Cunha e Eduardo Cunha, decidiram que o próximo filho ia ser livre

49 da doença e também compatível com a irmã mais velha, para doar células-tronco do cordão umbilical.

50 Nesse cenário entrou a seleção de embriões saudáveis, por meio de fertilização in vitro. A técnica de

51 escolha de embriões não é nova, existe desde 1990, mas a grande jogada do caso brasileiro foi a seleção

52 a partir da compatibilidade entre as duas irmãs.

53 No caso de Maria Clara, dez embriões foram gerados por fertilização in vitro. Após 72 horas da

54 fecundação em laboratório, uma célula de cada embrião foi retirada para o teste genético. Foram

55 analisadas 11 regiões do DNA, duas delas relacionadas à alteração no gene que provoca a doença e nove

56 na região da compatibilidade. Apenas um não apresentava a doença, não tinha traços de talassemia major

57 e, ao mesmo tempo, era compatível.

58 O professor de Reprodução Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Karam Abou Saab

59 diz que a seleção de embriões em laboratório é feita no dia a dia. "Mesmo em fertilizações in vitro normais

60 temos de selecionar embriões vivos e em boas condições", explica. De acordo com o professor de genética

61 da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Salmo Raskin, uma grande diferença na seleção

62 genética é que, nesses casos, nem sempre o casal tem dificuldades para engravidar. "A razão para eles

63 usarem a fertilização in vitro é diferente", afirma.

64 Mesmo com os avanços, porém, os médicos afirmam que a técnica é pouco utilizada. Um dos

65 motivos é a falta de domínio dela. "A seleção e análise são complexos, pouquíssimos lugares no Brasil

66 fazem", explica Raskin. Outro motivo é a falta de conhecimento das pessoas sobre doenças hereditárias

67 na família. O próprio custo do processo também é outro grande impeditivo. Somente a fertilização in vitro

68 pode variar de R$ 10 mil a R$ 30 mil. A análise genética do embrião, por ser rara, também tem custo alto,

69 cerca de R$ 6 mil.


FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/saude/selecionar-um-bebe-e-etico-76rrgxf8icmspt0rlbha0ni32/

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Há predicado verbal em


A

“A manipulação genética, atualmente, é uma grande bobagem” (L.8).


B

“é louvável a busca de soluções” (L.24).


C

“A técnica de escolha de embriões não é nova” (L.50/51).


D

“a técnica é pouco utilizada” (L.64).