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Leia este poema.


O encontro


Jonathan,

se resolvermos que o céu é este lugar onde ninguém nos ouve,

quem poderá salvar-nos?

Quanto tempo resistiríamos sem falar a ninguém deste acontecimento?

Acompanhei com os dedos o desenho miraculoso do teu lábio,

contornei-lhe as gengivas, bati-lhe no dente escuro como um cavalo,

um cavalo meu na campina.

Pedi-lhe: faz com tua unha um risco na minha cara,

o amor da morte instigando-nos com nunca vista coragem.

Vamos morrer juntos antes que o corpo alardeie sua mísera condição.

Agora, Jonathan neste lugar tão ermo, neste lugar perfeito.

PRADO, Adélia. Poesia completa. 9 ed.

São Paulo: Siciliano, 1991. p. 6.


Assim como os poetas árcades, nesse poema, Adélia Prado explora o Carpe diem. Esse recurso, muito utilizado no Arcadismo, está presente nos versos:


A

“Jonathan,

se resolvermos que o céu é este lugar onde ninguém nos ouve,

quem poderá salvar-nos?”


B

“Acompanhei com os dedos o desenho miraculoso do teu lábio,

contornei-lhe as gengivas, bati-lhe no dente escuro como um cavalo,

um cavalo meu na campina.”


C

“Pedi-lhe: faz com tua unha um risco na minha cara,

o amor da morte instigando-nos com nunca vista coragem.”


D

“Vamos morrer juntos antes que o corpo alardeie sua mísera condição.

Agora, Jonathan neste lugar tão ermo, neste lugar perfeito.”