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Leia o poema e responda às questões 12, 13, 14 e 15
SAUDADES DO ESCRAVO
Escravo – não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensaguentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!...
Naquelas quentes areias
Naquela terra de fogo,
Onde livre de cadeias
Eu corria em desafogo...
Lá nos confins do horizonte...
Lá nas alturas do céu...
De sobre a mata florida
Esta minh’alma perdida
Não veio – só parti eu.
A liberdade que eu tive
Por escravo não perdi-a;
Minh’alma que lá só vive
Tornou-me a face sombria,
O zunir do fero açoite
Por estas sombras da noite
Não chega, não, aos palmares!
Lá tenho terras e flores...
Nuvens e céus... os meus lares!
[...]
Escravo – não, ainda vivo,
Inda espero a morte ali;
Sou livre embora cativo,
Sou livre, inda não morri!
Meu coração bate ainda
Nesse bater que não finda;
Sou homem – Deus o dirá!
Deste corpo desgraçãdo
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!
São Paulo, 1850.
(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas. Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)
Assinale a alternativa que NÃO corresponde às ideias sugeridas no poema:
O eu poético expressa-se como um homem negro que vive cativo, contudo permanece com a alma livre.
O eu poético assume um ponto de vista culturalmente identificado e se nega à passividade expressa em outras produções poéticas da época.
O eu poético apresenta um idealismo, pois sua alma não se rende e se recusa a abandonar a esperança de liberdade, contrariando a postura encontrada em produções de mesmo tema.
O eu poético expressa o anseio de liberdade tão próprio de sua etnia, sem indiferença a sua circunstância em relação ao mundo.
O eu poético apresenta uma postura de resignação em relação à escravidão e se alimenta de lembranças e memórias dos tempos em que viveu livre.