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TEXTO 1
Guerra às bactérias
01 Numa rara boa notícia, como não se ouvia
02 há mais de 25 anos, cientistas anunciaram a
03 descoberta de uma nova classe de antibióticos.
04 Melhor ainda, a teixobactina revelou-se
05 eficaz ao combater alguns dos piores pesadelos
06 dos infectologistas, como o Staphylococcus
07 aureus resistente à meticilina (MRSA), cepas da
08 tuberculose difíceis de tratar e certas variedades
09 do Clostridium difficile.
10 Acredita-se que, em até dois anos, a nova
11 droga, que inibe a capacidade da bactéria de
12 sintetizar lipídios usados na formação de sua
13 parede celular, esteja pronta para ensaios
14 clínicos em humanos.
15 Havia de fato a demanda por novos
16 fármacos capazes de conter bactérias super-
17 resistentes. O mais recente até aqui, a
18 daptomicina, havia sido descoberto no já
19 longínquo ano de 1987.
20 Se bactérias imunes a antibióticos antes
21 afetavam de forma quase exclusiva pacientes
22 imunodeprimidos, que já haviam passado por
23 vários tratamentos, hoje médicos enfrentam
24 infecções comunitárias que não respondem bem
25 às drogas de primeira escolha.
26 E as previsões da biologia evolutiva
27 indicam que as bactérias sempre serão mais
28 eficientes em desenvolver resistência do que
29 cientistas em desenvolver drogas.
30 Um aspecto do problema diz respeito aos
31 incentivos. A combinação de regras para
32 proteção de patentes consideradas fracas e os
33 custos cada vez maiores para criar, testar e
34 comercializar um medicamento fez com que os
35 grandes laboratórios se desinteressassem da
36 pesquisa de antimicrobianos. Eles preferem
37 dedicar-se a áreas mais rentáveis, como as
38 moléstias crônicas.
39 Sem mudanças na política de incentivos ou
40 a mobilização de universidades e laboratórios
41 públicos, novidades tenderão a ser raras.
42 O outro aspecto diz respeito ao uso pouco
43 sábio desses antibióticos. Os despautérios
44 começam fora da medicina, com criadores que
45 os utilizam só para facilitar a engorda dos
46 animais, passam por médicos que os receitam
47 mesmo quando não há indicação e terminam
48 nos pacientes que se valem até de falsificações
49 para adquiri-los.
50 O péssimo hábito de profissionais de
51 saúde de não lavar as mãos antes e depois de
52 encostar em doentes e equipamentos também
53 contribui para criar ambientes promíscuos nos
54 quais bactérias trocam fragmentos de DNA que
55 as ajudam a driblar a ação das drogas.
56 Sem coordenação de esforços para acertar
57 esses aspectos, a crise mundial em torno da
58 resistência a antibióticos só tende a piorar.
www1.folha.uol.br/opiniao/2015/01/1576671- editorial-guerra-as-bacterias.shtml
Escolha a opção correta quanto à formação de palavras
o vocábulo “mobilização” (linha 40) possui três sufixos.
“desinteress-” é a raiz de desinteressassem (linha 35).
no vocábulo “capacidade” (linha 11), o “i” é uma vogal temática.
o “a” dos vocábulos “drogas” (linha 25) e “evolutiva” (linha 26) são desinências de gênero.