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TEXTO 1 – FUGA
1 Mal colocou o papel na máquina, o menino
começou a empurrar uma cadeira pela sala,
fazendo um barulho infernal.
- Para com esse barulho, meu filho –
5 falou, sem se voltar.
Com três anos já sabia reagir como homem
ao impacto das grandes injustiças paternas:
Não estava fazendo barulho, estava só
empurrando uma cadeira.
10 - Pois então para de empurrar a cadeira.
- Eu vou embora – foi a resposta.
Distraído, o pai não reparou que ele
juntava ação às palavras, no ato de juntar
do chão suas coisinhas, enrolando-as num
15 pedaço de pano. Era a sua bagagem: um
caminhão de madeira com apenas três rodas,
um resto de biscoito, uma chave (onde diabo
meteram a chave da dispensa? - a mãe mais
tarde irá dizer), metade de uma tesoura
20 enferrujada, sua única arma para a grande
aventura, um botão amarrado num barbante.
A calma que baixou então na sala era
vagamente inquietante. De repente, o pai
olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a
25 porta da rua aberta, correu até o portão:
- Viu um menino saindo desta casa? -
gritou para o operário que descansava diante
da obra do outro lado da rua, sentado no
meio-fio.
30 - Saiu agora mesmo com uma trouxinha –
informou ele.
Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo
ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo
do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia
35 deixando pelo caminho alguns de seus
pertences: o botão, o pedaço de biscoito e –
saíra de casa desprevenido – uma moeda de 1
cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o
passinho, abriu a correr em direção à
40 avenida, como disposto a atirar-se diante do
lotação que surgia a distância.
- Meu filho, cuidado!
O lotação deu uma freada brusca, uma
guinada para a esquerda, os pneus cantaram
45 no asfalto. O menino, assustado, arrepiou
carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou
com o braço como a um animalzinho:
- Que susto você me passou, meu filho –
e apertava-o contra o peito fora de si.
50 - Deixa eu descer, papai. Você está me
machucando.
Irresoluto, o pai pensava agora se não
seria o caso de lhe dar umas palmadas:
- Machucando, é? Fazer uma coisa dessas
55 com seu pai.
- Me larga. Eu quero ir embora.
Trouxe-o para casa e o largou novamente
na sala – tendo antes o cuidado de fechar a
60 porta da rua e retirar a chave, como ele
fizera com a da despensa.
- Fique aí quietinho, está ouvindo?
Papai está trabalhando.
- Fico, mas vou empurrar esta cadeira.
65 E o barulho recomeçou.
(Manuel Bandeira)
Na frase: “ - Saiu agora mesmo com uma trouxinha” - linha 30 – o sujeito é classificado como oculto. Assinale abaixo a frase em que o mesmo ocorre.
Encontramos belas obras de arte.
Durante a noite, picharam a parede.
Existem motivos para inocentá-lo.
Entraram o prefeito e seus assessores.
Haviam sido realizadas todas as tarefas de casa.