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Para responder às questões desta prova, considere o texto abaixo.
Carta de amor
Rubens Lemos Filho
No ludo com os pés, o passe era a carta de amor. A palavra do sentimento fluindo das chuteiras de homens apaixonados e preciosistas. A mensagem amorosa e irrecusável saía primeiro da imaginação do que simplesmente dos arremates, dos chutes banais ou do escapismo da bola por toques toscos e deselegantes.
Com o passe no futebol-arte, havia gol, e as bolas estufando redes proliferavam na proporção de uma cachoeira jorrando infinita. Porque existiam os cerebrais, os superdotados de pensamento e técnica, os poetas de versos em visão de lince.
Os armadores, assim eles eram chamados, sempre foram os preferenciais nas peladas, nas velhas peneiras, que recebiam centenas de garotos mirrados e pobres, reis em seus redutos e reprovados na concorrência com os melhores.
Didi e Gerson simbolizam essa nobreza de maestria. Jogavam sem a necessidade banal da correria burra e dos toques laterais. Suavam pouco, não eram estivadores. Enfiavam, de curva, bolas de 40 a 50 metros deixando os artilheiros prontos para o abate das defesas. Didi era mais charmoso.
Didi para mim é o protótipo da perfeição. Batia de curva, liderava, decidia campeonatos em toques e enfiadas que pareciam verdadeiros passaportes à glória do gol. Personalidade de rei charmoso.
Gerson, o Canhota de Ouro, tinha a malícia do peladeiro calculista. Se pudesse pressentir o oponente com má intenção, quebrava-o antes. Assim fez com o peruano De La Torre em 1969 (Brasil 3x2), que veio faminto e saiu com fratura exposta. Gerson deixou o pé esperando a canela do inimigo.
Didi era de chancelaria, Gerson, de infantaria. Gerson driblava pouco, tocava pouco e abria o campo em leque para os companheiros, ordenando, como o técnico que toda vida foi na prática, tabelas e perfeições como o arremesso canhoto que deixou Jairzinho amaciar no peito antes de fazer o terceiro do 4x1 do Tricampeonato sobre a Itália em 1970.
Baniram os mensageiros do futebol. Erram passe de cinco metros. Um marombado lateral do Inter correu 50 metros para passar, com a burocracia profissional de um carteiro, a bola ao adversário, volante do Corinthians.
Um insensível dentre todos que maltratam a bola para entregá-la ao colega de time na viagem em estrada esburacada. O passe acabou. Os limitados não compreendem o calor dos amantes missivistas. Sem caneta, papel e inspiração.
Disponível em: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/carta-de-amor/504128. Acesso em: 3 mar. 2021.
Para responder às questões 08 e 09, considere o parágrafo transcrito abaixo.
Didi era de chancelaria, Gerson, de infantaria. Gerson driblava pouco, tocava pouco e abria o campo em leque para os companheiros, ordenando, como o técnico que toda vida foi na prática, tabelas e perfeições como o arremesso canhoto que deixou Jairzinho amaciar no peito antes de fazer o terceiro do 4x1 do Tricampeonato sobre a Itália em 1970.
Em relação aos sinais de pontuação empregados no parágrafo, analise as afirmativas abaixo.
I - A primeira vírgula poderia ser substituída por um ponto e vírgula, mas haveria alteração de sentido.
II - A quinta e a sexta vírgulas poderiam ser substituídas por travessões, sem alteração de sentido.
III - A terceira vírgula é usada para separar termos de funções sintáticas distintas.
IV - A segunda vírgula é usada para sinalizar a elipse de um termo.
Entre as afirmativas, estão corretas
II e III.
I e IV.
II e IV.
I e III.