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Na cena acima, criada por Machado de Assis, o uso do...

Texto 3 – Texto para as questões de 36 a 40.


...DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:

— Olhe, se não dá por ela; perdia-a de vez.

— É verdade, concordou Honório envergonhado.

Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem. [...]


ASSIS, Machado de. A Carteira. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974. v. 2, p. 961. Disponível em: Acesso em 25 fev. 2016.

Na cena acima, criada por Machado de Assis, o uso do adjetivo “envergonhado” mostra que


A

o “homem que estava à porta de uma loja” viu e compreendeu o que, de fato, estava acontecendo ali.


B

o personagem Honório sentiu vergonha por ser pego fazendo o que sua consciência condenava.


C

Honório envergonhava-se diante de um estranho pelas dívidas excessivas que havia contraído.


D

o personagem Honório envergonhava-se por ter sido tão descuidado com a carteira.


E

o fato de ter sido abordado por um estranho envergonhou o tímido Honório.