

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Instrução: As questões 01 a 16 referem-se ao texto abaixo.
1 Já não dá mais para escapar: é Carnaval, a festa
2 dos tímidos. Foi Rubem Braga quem cunhou a expressão,
3 e ele se assombrava diante da conversão dos rapazotes
4 e raparigas recatados do cotidiano em alegres piratas,
5 marinheiros e havaianas na avenida.
6 Não sei se o paralelo, contudo, é possível. O mundo
7 mudou. Com a proliferação das redes sociais, parece que
8 não sobraram recatados, aliás. Expõem-se ali todos –
9 criam suas fantasias e nelas investem, dia após dia,
10 desfilando não de pirata, mas de hipster, intelectual,
11 sensível, engajado, despreocupado, desconstruído,
12 pós-moderno, bacanudo.
13 Na avenida ou nas telas, é tudo fantasia. Na essência,
14 o homem é o mesmo: um medroso. Massacrado pelo
15 entorno, assoberbado pela vida, o homem só quer uma
16 trégua dos problemas, de tempos em tempos; esquecer
17 os balanços e mensalidades para flertar, pular e se
18 embebedar.
19 Sempre gostei de ver o Carnaval dos outros, mas
20 até para a festa dos tímidos eu era tímido demais, então
21 nunca tive o costume de pular em bloquinho ou blocão.
22 Antes, eu me deliciava com a transformação das gentes.
23 Vendo dois milhões de foliões no Baixo Augusta, demorei
24 a entender, entretanto, o que incomodava naquele início
25 de Carnaval, em São Paulo.
26 Era o carnaselfie. O Carnaval sem transgressão –
27 não dos outros, não dos corpos, porque isso só disfarça
28 uma violência intolerável. Não a transgressão que
29 perturba as meninas que não querem contato, ou os
30 lojistas que não querem vandalismo, ou os moradores
31 que têm horror à sujeira brotando em suas calçadas.
32 Era o Carnaval sem transgressão subjetiva, de si.
33 Sem subverter a si próprio para alegrar o mundo com
34 a versão mais alegre e autêntica de si.
35 Nas ruas, os foliões saltitam com o celular nas mãos
36 e enchem suas redes sociais de fotos, posam uma
37 felicidade em ângulo-plongée atentos aos detalhes
38 de luz, enquadramento, likes e shares. Tudo para sair,
39 mesmo no sagrado ridículo do momento, bacana na foto.
40 A folia é regrada não por pais e mães, que há muito
41 desistiram de censurar a festa. Os regulamentos do
42 novo Carnaval são as novas regras da cinematografia.
Adaptado de: ESSENFELDER, Renato. Em tempos de carnaselfie, ninguém quer parecer ridículo. Estado de São Paulo, São Paulo, 12 de fevereiro de 2018. Disponível em http://emais.estadao.com.br/blogs/renato-essenfelder/em-tempos-de-carnaselfie-ninguem-quer-parecer-ridiculo/. Acesso em 12/05/2018.
Qual das estruturas sublinhadas abaixo desempenha a função de aposto?
Já não dá mais para escapar: é Carnaval, a festa dos tímidos. (l. 01-02)
Não sei se o paralelo, contudo, é possível. (l. 06)
Na avenida ou nas telas, é tudo fantasia. (l. 13)
Na essência, o homem é o mesmo: um medroso. (l. 13-14)
Vendo dois milhões de foliões no Baixo Augusta, demorei a entender, entretanto, o que incomodava naquele início de Carnaval, em São Paulo. (l. 23-25)