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Sobre a oração Muitas vezes, confundimos amor com...

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Q1889494
Teclas de Atalhos
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Ano: 2021
Prova: Legalle Concursos - Prefeitura - Analista Ambiental - 2021

Para responder às questões de 01 a 07, leia o 1 texto abaixo.

Quando os filhos voam

  1. Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de
  2. ser crianças e abandonem proteção do ninho. Eu
  3. mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é
  4. inevitável que eles voem em todas as direções como
  5. andorinhas adoidadas.
  6. [ ... ] Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo
  7. dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros
  8. passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora
  9. de casa, a primeira viagem ...
  10. Desde o nascimento de nossos filhos temos a
  11. oportunidade de aprender sobre esse estranho
  12. movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar.
  13. Nem sempre percebemos que esses momentos tão
  14. singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício
  15. da liberdade.
  16. Mas chega um momento em que a realidade bate
  17. porta e escancara novas verdades difíceis de
  18. encarar. É o grito da independência, a força da vida em
  19. movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
  20. É quando nos damos conta de que nossos filhos
  21. cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de
  22. destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo
  23. longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nos-
  24. sas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar
  25. vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar
  26. decisões que caminham para longe. Isso é amor.
  27. Muitas vezes, confundimos amor com dependên-
  28. cia. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voa-
  29. rem livres não nos amarão mais. [ ... ] Fazemos questão
  30. de apontar alguma situação que demande um conselho
  31. ou uma orientação nossa, porque no fundo o que
  32. precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas
  33. vezes confundimos amor com segurança. Por excesso
  34. de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos,
  35. [ ... ] Temos tanta certeza de que sabemos mais do que
  36. eles, que o porto seguro vira uma âncora que os impede
  37. de navegar nas ondas de seu próprio destino.
  38. Muitas vezes confundimos amor com apego.
  39. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma.
  40. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o
  41. fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não
  42. cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo
  43. que o amor nada tem ver com apego, segurança ou
  44. dependência, embora tantas vezes eu me confunda.
  45. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.
  46. Aprendo que a vida é feita de constantes mortes
  47. cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada
  48. fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para
  49. uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o
  50. movimento. É nele que podemos pousar nosso
  51. descanso e nossa fé, porque ele é eterno.
  52. Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver
  53. meus filhos crescidos, se assusta por não saber o que
  54. fazer. Mas é muito melhor ser livre do que impres-
  55. cindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e
  56. deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.

Autor: Rubem Alves (adaptado).

Sobre a oração Muitas vezes, confundimos amor com dependência (l.27-28), é CORRETO afirmar que o sujeito é:


A

Desinencial.


B

Simples.


C

Composto


D

Indeterminado.


E

Inexistente.