Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
O coronavírus pode mudar certos hábitos – para melhor
- As ações das companhias aéreas despencaram em uníssono, em todas as bolsas do mundo.
- A American Airlines, maior companhia aérea do mundo, perdeu metade do seu valor de mercado
- em duas semanas (ou seja: o valor de cada uma das ações que ela negocia na Bolsa de Nova
- York caiu 50%). A Gol, maior do Brasil, idem: tombo de 50% por aqui também.
- É como se alguém tivesse inventado o teletransporte, e tornado a aviação comercial algo
- tão antigo quanto o mercado de máquinas de escrever, de chapéus panamá e de Liquid Paper.
- Esse é o tamanho do pânico.
- O risco de pegar coronavírus dentro de um avião não é necessariamente maior do que dentro
- de um vagão de metrô, no balcão de um bar lotado, ou no banheiro do escritório – pelo menos
- se a sua passagem não for para Wuhan, Milão ou algum outro epicentro do vírus. Mas o que
- importa não é a realidade dos fatos: é a forma como as pessoas interpretam os fatos. E a dedução
- coletiva passou a ser a de que aviões são antros atulhados de coronavírus.
- Paciência: as pessoas também acham que sair de casa sem blusa dá resfriado. O que dá
- resfriado é um vírus que fica mais ativo quando o ar está frio. São 200 tipos de vírus, na verdade.
- Eles entram pelos orifícios que a gente tem na cara, e não sabem se você está de blusa ou não.
- A correlação entre frio e resfriado, porém, alimenta a ideia de que, se você aquecer o corpo, vai
- estar mais protegido. E a lenda persiste.
- As lendas do Corona vão entrando para o imaginário urbano. A que mais se sobressai talvez
- seja a das máscaras. Elas são úteis, sim: se você for um paciente assintomático, e não souber
- que carrega o vírus, não vai sair transmitindo o bichinho no metrô. Se você não tiver o vírus e
- sentar ao lado de um sujeito que tem, e que acabou de espirrar, sua chance de contágio vai
- diminuir sensivelmente.
- Mas não basta qualquer máscara. De acordo com a OMS, você precisa de uma máscara com
- padrão diferente para ter uma proteção efetiva – além de seguir direitinho as regras de uso (se
- você tiver barba, por exemplo, talvez seja hora de tirar a gillete da gaveta). Ou seja: usar uma
- máscara qualquer só serve mesmo como fantasia de Carnaval fora de época.
- Mas tem outro lado nessa história. Seja qual for a letalidade dessa pandemia, o fato é que
- ela pode mudar a sociedade. Em alguns casos, para melhor. A pandemia foi (e está sendo) a
- maior experiência de trabalho em casa da história da humanidade. Boa parte dos trabalhos, hoje,
- dispensam a existência de escritórios, por cortesia da nossa amiga internet. Só que a maior parte
- de nós segue, por embalo, batendo cartão e se deslocando por horas para fazer no escritório
- tarefas que a gente poderia resolver de casa. A experiência com o Corona, porém, pode deixar
- claro que trabalhar em casa não é um bicho-papão, e tornar o trabalho de todo mundo um pouco
- mais flexível.
- Outra coisa que as empresas talvez aprendam é que boa parte das viagens de avião a
- trabalho são inúteis. Podem ser substituídas por um e-mail ou por uma conversa rápida no
- Whatsapp. Uma eventual diminuição das viagens improdutivas seria ótima para os acionistas, já
- que cortes nesse tipo de gasto são lucro na veia. Uns meses de pavor de avião, e uma boa dúzia
- de viagens corporativas desmarcadas, podem ser úteis para introduzir o conceito de que o mundo,
- e os negócios, seguem girando na ausência de reuniões presenciais pouco produtivas. Porque
- esses rolês não vão se tornar antiquados quando criarem o teletransporte. Eles já o são, desde a
- invenção do telefone.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/alexandre-versignassi/o-coronavirus-pode-mudar-certos-
habitos-para-melhor/ – texto adaptado especialmente para esta prova.)