Imagem de fundo

Em dois continentes de importância para o mundo...

Texto para as questões 1 a 14


Fukuyama e o futuro da história


Em dois continentes de importância para

o mundo desdobram‐se neste momento crises

virtualmente existenciais no que diz respeito a

seus modelos econômico‐sociais.

5 Nos EUA, a oposição republicana a Obama

tenta conquistar a Casa Branca com base em

postura quase religiosa em favor da redução do

imenso déficit público unicamente pela via da

eliminação de gastos, com a preservação e

10 mesmo a ampliação de vantagens tributárias que

só fazem privilegiar os mais ricos.

Na Europa, o Estado do bem‐estar se vê

questionado. Não tanto sua essência, mas sim sua

extensão passa a ser objeto de reavaliação, ao

15 impacto de crise recessiva que tende a perdurar

por longo tempo.

Enquanto isso, na China e em outras

partes da Ásia Oriental viceja um autoritário

capitalismo de Estado que aos olhos de alguns

20 analistas do Ocidente constituiria modelo

invejável – ainda que, pensando bem, seja esse

alegado “Consenso de Pequim” (fazendo jogo de

contraste com o “Consenso de Washington”) de

indesejável e inviável implantação em países com

25 regimes verdadeiramente democráticos, baseados

no Estado de Direito, nas liberdades civis e na

economia de mercado.

Nos EUA a corrida eleitoral em curso

expressa sociedade inusitadamente polarizada. E,

30 em certo sentido, espantada e desorientada

diante de nova realidade pouco assimilada: a

inexorável tendência à crescente desigualdade

socioeconômica.

Em 1974, o 1% mais rico detinha 9% da

35 riqueza nacional. Hoje, possui quase 25%.

Desigualdade que uns desejam enfrentar pela via

do assistencialismo e de medidas de sentido

distributivo e outros preferem não enxergar ou

acreditam ser um mal passageiro, a ser

40 sobrepujado pelo retorno ao “laissez‐faire” e a

medidas regressivas, supostamente favorecedoras

dos pobres e das classes médias pela via do

“trickle down” (gotejamento) da riqueza

acumulada pelos ricos.

45 Na Europa, supostamente mais

organizada, falhou a regulamentação financeira, o

que convergiu com a crise de 2008 nos EUA para

dar origem à presente situação. Nesse erro se

encontraram o capitalismo neoliberal americano e

50 a “economia social de mercado” dos alemães.

É interessante constatar, em tal contexto,

o surgimento em vários países de movimentos

populistas de direita (veja‐se o Tea Party nos EUA)

e a ausência de um pensamento de esquerda mais

55 amplo e integrado, capaz de colocar alternativas

ao que tem sido uma globalização em importantes

aspectos descontrolada, que ameaça encolher as

classes médias nos países desenvolvidos, trazendo

riscos à própria democracia representativa.

60 E, surpresa!, quem a esta altura clama

pelo surgimento de um lúcido pensamento de

esquerda, a contrabalançar os populismos de

direita, é o famoso Francis Fukuyama. Ele, que

com seu livro “O Fim da História” dera como

65 definitivo o triunfo da democracia liberal e da

economia de mercado sobre o socialismo real,

expressa, em recente artigo na prestigiosa

“Foreign Affairs” (“O Futuro da História”),

preocupação com os riscos de que os avanços

70 tecnológicos subjacentes à globalização

enfraqueçam as classes médias nos países

desenvolvidos. Critica o que chama de “ausência

da esquerda” e clama por nova mobilização em

favor de Estados mais fortes, de medidas

75 redistributivas e de questionamento dos

privilégios das atuais elites dominantes.


(Roberto Abdenur. Folha de S. Paulo, 25 de janeiro de 2012)

Em dois continentes de importância para o mundo desdobram‐se neste momento crises virtualmente existenciais no que diz respeito a seus modelos econômico‐sociais. (L.1‐4)


Tomando‐se o período acima como discurso direto, assinale a alternativa em que a transposição para o discurso indireto tenha sido feita em consonância com a norma culta.


A

O texto afirmou que em dois continentes de importância para o mundo desdobraram‐se neste momento crises virtualmente existenciais no que diz respeito a seus modelos econômico‐sociais.


B

O texto afirmou que em dois continentes de importância para o mundo desdobravam‐se naquele momento crises virtualmente existenciais no que diz respeito a seus modelos econômico‐sociais.


C

O texto afirmou que em dois continentes de importância para o mundo se desdobraram naquele momento crises virtualmente existenciais no que dizia respeito a seus modelos econômico‐sociais.


D

O texto afirmou que em dois continentes de importância para o mundo se desdobravam naquele momento crises virtualmente existenciais no que dizia respeito a seus modelos econômico‐sociais.


E

O texto afirmou que em dois continentes de importância para o mundo desdobravam‐se nesse momento crises virtualmente existenciais no que dissera respeito a seus modelos econômico‐sociais.