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Texto para os itens de 1 a 15.
1 ____O planeta, em março de 2020, oferece uma imagem estranha, entre aprazível e inquietante. Mais de um terço da
humanidade está em casa, privada da liberdade de ir e vir, algo tão essencial e que todos nós damos como garantido. As ruas,
vazias, como as estradas, sem carros. Os céus, claros, sem aviões. As fronteiras, fechadas. Os líderes, encerrados também e
4 administrando — primeiro cada um por sua conta, atabalhoadamente, quase sempre tarde apesar dos sinais — a maior crise
que certamente lhes caberá enfrentar em suas vidas. Os cidadãos, desconcertados pelo vírus que foi detectado na China em
dezembro passado e que já matou mais de 28.900 pessoas, afetando 200 países. Angustiados por sua saúde e pela de seus
7 próximos, e pelo golpe econômico que, segundo a unanimidade dos especialistas, se avizinha. O mundo entrou em hibernação.
O eletrochoque deixou os humanos aturdidos, num estado que mistura a calma com o desassossego, sem espaço físico
para se movimentarem nem espaço mental para saberem como será a vida, a cidade, o país, o mundo em dois ou três meses,
10 ou em um ano. É um duplo abalo. Primeiro, de cunho sanitário: a doença desconhecida, a Covid-19, e o vírus que a causa, O
temível SARS-Cov-2. Não existe vacina, por isso as medidas aplicadas são as chamadas não farmacêuticas, em sua modalidade
mais extrema: o confinamento, não só dos infectados ou suspeitos de assim estarem, mas também, inicialmente, de cidades e
13 regiões inteiras — Wuhan na China, desde janeiro, a Lombardia e boa parte do norte da Itália desde 8 de março — e, nos dias
seguintes, como se as peças de dominó caíssem uma após as outras, países grandes e pequenos, desenvolvidos e em vias de
desenvolvimento. Da Itália inteira à Índia, passando pela Espanha, França, Reino Unido e uma parte considerável dos Estados
16 Unidos e da América Latina: três bilhões de pessoas quietas e trancadas.
O segundo abalo é econômico. Os governos assumem que o freio na atividade provocará uma recessão global — as rotas
do comércio mundial, já interrompidas quando o coronavírus parecia ser apenas um mal chinês, estão bloqueadas. Em 2020, a
19 contração do PIB será de 2,2% na zona do euro, segundo a agência de qualificação Moody's, e de 2% nos Estados Unidos da
América (EUA). As cifras de solicitantes de subsídios de desemprego naquele país bateram um recorde: nunca, em meio século
desde o início dos registros, tinham sido tão altas, mais de três milhões. As somas que foram ou serão injetadas para amortecer
22 o impacto para empresas e trabalhadores — cinco trilhões de dólares só para os países do G20 — e as intervenções dos bancos
centrais dão uma ideia das dimensões do desastre que se tenta evitar, ou suavizar. Volta a soar o “whateverit takes” (“o que for
preciso”), bordão mágico que Mario Draghi, então presidente do Banco Central Europeu, pronunciou em 2012 para salvar o
25 euro, e funcionou. Todos, não só os bancos centrais, prometem “o que for preciso”, mas, oito anos depois da intervenção de
Draghi, o primeiro ato da crise encena uma resposta em ordem dispersa. As fraturas da União Europeia reaparecem em toda
sua crueldade. O vírus é global; as reações, nacionais.
28 ___Cogita-se uma mudança de modelo econômico. “Talvez seja inevitável passar por uma fase de desglobalização, ou seja,
de comércio e fluxo de capitais reduzidos entre os países”, observa o economista francês Thomas Piketty. “Continuar como se
nada tivesse acontecido não é uma opção. Caso contrário, o nacionalismo triunfará”, alerta.
Internet: <www.brasil.elpais.com> (com adaptações).
No que se refere ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 9.
Na forma verbal "Cogita-se" (linha 28), a partícula "se" indica que o sujeito da oração é indeterminado.
Certo
Errado