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Nas lembranças do poeta (1º parágrafo do texto), as...

Minha Viagem

O poeta Guilherme Mansur ainda se lembra

daquelas manhãs frias e cobertas de névoa em que a

avó o tirava da cama quentinha para assistir à primeira

missa do dia. Os dois saíam de mãos dadas e, 30 passos

5 depois, mais ou menos, chegavam à Matriz de Nossa

Senhora do Pilar. No caminho curto, o menino só via o

manto preto que cobria o corpo dela − e o fog espesso

que escondia as casas e coisas. Impossível não piscar

os olhos (e abrir a boca de espanto) quando entrava no

10 santuário. Todo iluminado e revestido com 430 quilos

de ouro puro. Sentadas nos bancos da Igreja, as

velhas entoavam ladainhas. Rezas repetidas que ele

transformou num haicai: "uma reza com outra reza

se reveza / uma reza, se com outra reza reveza / uma

15 com reza, outra reveza se reza (...)".

A Ouro Preto de Mansur, um poeta de 40 anos

que escreveu trabalhos com Haroldo de Campos, não

mudou muito. A neblina ainda domina a paisagem nas

primeiras horas da manhã. As 13 igrejas e os sobradinhos

20 coloridos vão se revelando aos poucos no sobe-e-desce

das ladeiras, sem nunca perderem o ar de mistério.

É assim há mais de trezentos anos, contam os sábios,

desde os tempos em que a cidade ainda era vila, a

Vila Rica, de outros poetas. Dos poetas árcades da

25 Inconfidência Mineira.

BOCCIA, Sandra. Valor, 15 maio 2000

Observação:

fog (ingl.) - nevoeiro espesso, denso

haicai - poema japonês

Nas lembranças do poeta (1º parágrafo do texto), as impressões que permanecem da Ouro Preto de sua infância são:


A

visuais, auditivas, táteis.


B

visuais, auditivas, olfativas.


C

visuais, gustativas, táteis.


D

olfativas, auditivas, gustativas.


E

olfativas, visuais, táteis.