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Texto I
Pesquisador analisa a distribuição atual de linguagens indígenas ao norte do País e discute a possibilidade de extinção ou renascimento de algumas delas.
As línguas amazônicas
Um mapeamento detalhado das línguas indíge-
nas faladas atualmente na região amazônica, publica-
do recentemente, ajuda a entender como as diversas
tribos sobreviveram e se espalharam pela área desde a
5 chegada dos primeiros europeus ao País, no século XVI.
O trabalho foi realizado pelo brasileiro Aryon Rodrigues, da
Universidade de Brasília.
Em sua pesquisa, Rodrigues procurou relacionar
o total de línguas faladas na área denominada Amazônia
10Legal, composta pelos Estados do Acre, Amapá, Ama-
zonas, Pará, Rondônia, Roraima, além de parte de Mato
Grosso, Tocantins e Maranhão.
No total, são cerca de 150 as línguas identificadas
nessa região. Muitas correm o risco de extinção. É o
15 caso da língua umutima, cujo único falante tem
mais de 60 anos. O pesquisador cita outros exemplos,
como o xypáya, conhecida por apenas duas idosas.
“São línguas moribundas, com morte previsível
para o tempo de no máximo uma geração (cerca de
2030 anos)”, disse Rodrigues, em entrevista por e-mail.
“Sabemos de vários casos assim, mas não temos ainda
um levantamento sistemático dessas situações.”
Rodrigues destaca, no entanto, a capacidade de
reabilitação de algumas línguas, mostrando que o quadro
25não é tão preocupante quanto parece. Algumas tribos
resistem à adaptação a novas condições de vida, reto-
mam o crescimento demográfico e ampliam sua língua.
“Um exemplo disso é o dos índios tapirapés. Estavam
reduzidos a umas 40 pessoas na metade deste século e
30hoje são cerca de 400, todos falando a língua tapirapé.”
Estima-se em cerca de 1.200 as línguas faladas
antes da chegada dos europeus à América do Sul. “Das
línguas que sobreviveram, muitas devem ter-se deslocado
significativamente das posições que ocupavam no século
35XVI”, escreve Rodrigues, cujo trabalho é um dos capítulos
do recém-lançado livro “As Línguas Amazônicas Hoje”,
organizado por F. Queixalós e O. Renault-Lescure, que
aborda a questão das linguagens indígenas na região.
O pesquisador destaca três procedimentos da
40colonização da Amazônia que afetaram as línguas lo
cais: a ofensiva armada dos colonizadores, a exploração
das populações indígenas como mão-de-obra escrava e
a doutrinação religiosa, que agrupava diferentes tribos
45em grandes aldeamentos. “A maior parte das línguas que
eram faladas ao longo do rio Amazonas foi eliminada até
o fim do século XVIII”, disse. “Os índios que não foram
aniquilados se converteram em falantes da língua dos
colonizadores.”
FERRONI, Marcelo. Folha de São Paulo. Mais! 4 jun. 2000. (com adaptações)
No Texto I, em que parágrafo se amplia o sentido da palavra renascimento apresentada no sobretítulo?
Segundo.
Terceiro.
Quarto.
Quinto.
Sétimo.