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“De maneira alguma” (linha 7) por De nenhuma forma

Texto para os itens de 1 a 14.


1 ____ A pandemia de covid-19 nos relembra uma das características mais fundamentais da condição humana: a solidariedade

que existe entre humanos ultrapassando fronteiras, entre humanos e outros seres vivos, assim como entre seres vivos e seus

ambientes. Essa lembrança, que nacionalistas obtusos e lógicas competitivas já correm para abafar, nos convida a repensar como

4 deveria ser uma instituição política global verdadeira — que aqui iremos chamar de “bens comuns globais da humanidade”.

As lições que a pandemia ensina também se aplicam aos maiores problemas que confrontam a humanidade, a começar

pelo aquecimento global e o desfile de desastres que estão programados para ocorrer e para os quais não estamos mais

7 preparados do que estávamos para enfrentar o vírus. De maneira alguma, nossas instituições econômicas e políticas nos armam

para encarar o que nos espera à frente. É então mais urgente que nunca que repensemos politicamente as condições necessárias

à sobrevivência da humanidade no planeta.

10 ___ O vírus oferece uma demonstração perfeita aos que esperavam provas da solidariedade que liga os seres humanos uns

aos outros e também aos não humanos. A interligação crescente entre sociedades, com trocas econômicas, urbanização

planetária e fluxos entre fronteiras, acelerou consideravelmente a difusão da epidemia. Ultrapassou os Estados, assim como as

13 organizações de saúde subfinanciadas, que não estavam prontas para atuar à altura da ocasião.

Em face de uma pandemia causada por um vírus tão contagioso como o da covid-19, a única solução, de acordo com

epidemiologistas, é cortar todas as possíveis correntes de transmissão de humano para humano, isto é, fazer um chamado à

16 responsabilidade coletiva de cada indivíduo. Isso não significa que cada pessoa deveria proteger meramente a si mesma, mas

uma proteção mútua que cada um garante ao outro, em uma relação de reciprocidade.

Quando falamos de “saúde pública”, muitas vezes não conseguimos perceber que, nessa expressão, “público” não pode,

19 de maneira alguma, ser reduzido ao “Estado”. “Público” aqui se refere não só a ele, mas à coletividade constituída por todos os

seus cidadãos. No entanto, os governos, de maneira geral, não foram capazes de compreender que o principal trunfo em uma

luta contra uma doença tão contagiosa está no que pode ser chamado de cívico, ou de coletividade, de responsabilidade.

22 ___ Profundamente mal orientado por décadas de dogmas utilitários, normas neoliberais e demandas individualistas, o

discurso da maior parte dos governos não se embasou nas palavras necessárias para dizer que a solidariedade social é a primeira

linha de defesa contra a epidemia — que o sentimento e a consciência do destino de todos nós na mão de cada um de nós é a

25 única vacina que temos disponível agora.

Ao contrário disso, esses governos usaram as palavras mais inadequadas: falar do óbvio interesse próprio de cada um

de nós, ou sobre a nossa responsabilidade individual que carregamos frente aos riscos. Eles agiram como se a sociedade fosse

28 uma mistura de átomos isolados, como se cada indivíduo tivesse que se proteger dos outros. É “para si mesmo” que cada um

deve manter distanciamento, usar máscaras individuais, lavar as próprias mãos — não para proteger a comunidade como um

todo.

31 ___ Se nossos governos não foram capazes de declarar com clareza e encorajar a corresponsabilidade de cada um de nós

em nosso destino coletivo, é provavelmente porque eles acham muito difícil imaginar outras relações entre indivíduos que não

as de rivalidade, competição e confronto de interesses.


Christian Laval. Para além do paradigma do Estado: pandemia,

solidariedade e o comum. Internet: <cartamaior.com.br> (com adaptações).


A respeito da correção gramatical e da coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue os itens de 11 a 14.

“De maneira alguma” (linha 7) por De nenhuma forma


C

Certo


E

Errado