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No que se refere à frase “juro que teria te contado antes...

Texto para as questões de 1 a 5.


Crônica pra ninguém – Antonio Prata


01 Hoje é dia 30 de dezembro, tá todo mundo na praia

ou acendendo a churrasqueira: esta crônica, portanto, não

será lida por viv’alma. Salvo as viv’almas do Adams e

04 da Bia — ele assina as belíssimas ilustrações […] e ela, entre

outras funções mais nobres na Folha, sauva-me dod neus

erros. (Opa, parece que hoje nem a Bia leu).

07 Talvez a piadinha metalinguística tenha ficado

meio obscura, mas tudo bem: uma das vantagens de

escrever uma crônica para ninguém é que a gente pode

10 tomar certas liberdades. Outra que me ocorre: um

parágrafo inteiro de &s para encher linguiça e terminar logo

esta minha ária no chuveiro. Melhor, um parágrafo inteiro

13 de “ohhhhh” para se assemelhar à ária no chuveiro.

Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

hhhhhhhhh

16 O leitor (Adams, tô falando com você) pode achar

que é triste escrever para ninguém. Prefiro encarar o

desafio com otimismo. (Gostaria de poder falar o mesmo

19 sobre 2019, mas o bom senso me impede). Pensando

positivo: como fazer bom uso de palavras ao vento? Bem,

por exemplo, fazendo revelações que não teria coragem

22 caso houvesse mais gente ouvindo.

Detesto o sanduíche de mortadela do Mercadão.

Acho Terra em Transe chatíssimo. Nunca li Proust. Às vezes,

25 em banheiros muito infectos, abro a maçaneta com o pé.

Maria, fui eu quem roubou a barra de chocolate ao leite com

avelãs Lindt que você ganhou no Natal de 1984. Desculpa

28 pelo roubo e desculpa demorar 35 anos para confessá-lo;

juro que teria te contado antes se tivesse certeza que você

não iria ouvir. Hoje eu tenho. Roubei seu chocolate. Roubei

31 seu chocolate. […]

Tsc. Eu devia ter escrito tudo “&&&...” mesmo,

Adams. Mas você ainda tem tempo: manda só um quadrado

34 branco, sem nada desenhado. Vai te poupar trabalho, ornar

com o ano novo e sujar menos as mãos do barrigudo em

Jacareí. Feliz ano novo, parceiro! Tamo junto em 2019!


Internet: <www.1folha.uol.com.br

No que se refere à frase “juro que teria te contado antes se tivesse certeza que você não iria ouvir” (linhas 29 e 30), julgue os itens a seguir.


I Há um desvio da norma-padrão da língua portuguesa quanto à regência nominal do substantivo “certeza”.

II Há concordância verbal entre o sujeito oculto e o verbo “juro”.

III Há um equívoco na relação de tempos verbais em “teria”, futuro do pretérito, e “se tivesse”, pretérito imperfeito do subjuntivo.


Assinale a alternativa correta.


A

Apenas o item I está certo.


B

Apenas o item II está certo.


C

Apenas os itens I e II estão certos.


D

Apenas os itens I e III estão certos.


E

Apenas os itens II e III estão certos.