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A alternativa em que, segundo a norma culta formal da...

Pedaço de vida


Nossa amizade já havia completado bodas de prata. Houve um tempo em que éramos dois casais e raro era o fim de semana em que não nos encontrávamos para um churrasco em nossa casa ou na deles, um cinema ou um teatro.

Depois as coisas mudaram e eu fiquei só. Agora, vê-los todos os dias já se tornou habitual.

Quando chego, sempre pela manhã, ele já está à minha espera na porta, me conduz ao quarto deles, onde ela está deitada; corpo magro, quase esquelético, o rosto entremostrando uma beleza que fugiu, sombreado pelos ralos cabelos e refletindo um espanto contínuo.

Me aproximo: beijo-a na testa e digo sempre a mesma frase: Você está ótima!

Atrás de mim, ele balança a cabeça com um sorriso triste nos lábios.

Ontem, mais uma vez fui vê-los.

Ao contrário do costumeiro, fui ao entardecer.

Relembramos, com uma certa nostalgia, momentos de nossas vidas.

Depois, um silêncio cheio de lembranças instalou-se entre nós.

- Vamos dar uma volta? Sugeri. Até São Francisco vero pôr do sol?

Saímos da casa. Ele a conduziu, quase carregando, com muito carinho e jeito.

Apesar do tempo meio quente, ela vestia uma blusa amarela de lã.

Enquanto dirigia, observava os dois abraçados no banco de trás, como se não quisessem, jamais, se desprenderem.

Paramos à borda da calçada e ficamos um longo tempo em silêncio olhando as ondas mansas do mar, enquanto um sol avermelhado deixava seus últimos reflexos na água.

Retornamos, e ela, com uma voz muito fraca e doce, pediu:

- Vamos voltar qualquer dia para ver o sol nascer?

Assentimos com a cabeça, enquanto o meu olhar e o dele, compreensivamente magoados com a vida, se encontravam.

Hoje, aí por volta das nove horas da manhã, ele me ligou. Disse apenas uma palavra, com a voz molhada pela dor. "Acabou!"

Só consegui recolocar o telefone no gancho, quando lágrimas, que escorriam dos meus olhos com amarga lentidão, fizeram poças em minhas mãos.


(Hermes Santos, disponível em mazeofinsanity.blogspot.com.br. Acesso em junho/16)

A alternativa em que, segundo a norma culta formal da língua, a frase está correta quanto à regência verbal é:


A

O casal costumava ir na casa dos amigos.


B

Nos fins de semana assistiam um filme.


C

Preferiam se encontrar do que permanecer sós.


D

Agradava-lhes a companhia um do outro.


E

Os dois obedeciam um costume antigo.