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O acento indicativo de crase deverá ser mantido ao...

Pergunte aos tofas como o mundo surgiu e eles não saberão a resposta. Essa pequena tribo siberiana, situada entre a Rússia e a Mongólia, está esquecendo a mitologia que explica seu próprio nascimento. Esse torpor coletivo é resultado de uma perda ainda maior: os tofas estão esquecendo sua própria língua. “A morte de um idioma começa com um trauma”, explica Leanne Hinton, especialista em revitalização linguística da Universidade da Califórnia. “Pode acontecer pela perda de território ou por mudanças forçadas à cultura tradicional”.

No caso dos tofas, foram as duas coisas. Eles sempre foram nômades: vagavam pelas planícies da Sibéria com rebanhos de centenas de renas. Depois da revolução comunista, foram obrigados pelo regime a escolher apenas uma região para habitar. Nas décadas seguintes, os adultos tiveram que abandonar o xamanismo e roupas tradicionais, enquanto as crianças passaram a frequentar escolas soviéticas. O tofalar, idioma do grupo há séculos, começava a morrer.

“Línguas minoritárias são sufocadas por idiomas maiores”, explica o linguista americano David Harrison, que descreveu o grupo em When Languages Die (Quando Línguas Morrem, sem edição no Brasil). No caso dos tofas foi o russo, mas exemplos não faltam. Afinal, em um mundo cada vez mais urbano e conectado, fica mais fácil sobreviver falando japonês, francês ou português em vez de ainu, bretão ou kanoê. Segundo uma estimativa da Unesco, como resultado dessa mudança de idiomas pequenos para grandes, metade das 7 mil línguas que existem hoje no planeta devem silenciar no decorrer deste século. Na verdade, uma língua pode sumir em apenas algumas décadas. No caso dos tofas, idosos ainda lembram algumas palavras em tofalar, mas não passam esse conhecimento para frente. Logo, a morte do último ancião deve representar a morte do próprio idioma.

Apenas uma centena das línguas do planeta são gigantes, em uma lista encabeçada por chinês, espanhol, inglês, hindu e árabe. Contados em conjunto, esses cinco idiomas são falados por 2,5 bilhões de pessoas. Algumas outras dezenas são igualmente grandes (incluindo o português, a sexta maior), mas a grande maioria dos idiomas são nanicos – alvos fáceis para os gigantes.

A morte de línguas é normal: ninguém mais no Egito escreve usando os hieróglifos das tumbas faraônicas. Mas a rapidez com que essas mortes vêm acontecendo em tempos recentes é preocupante: enquanto, entre todas as línguas conhecidas, 630 desapareceram no decorrer da história da humanidade, cerca de 140 deixaram de existir nas últimas quatro décadas. A velocidade é tanta que especialistas chamam o fenômeno de “extinções linguísticas”.


http://super.abril.com.br/historia/... - adaptado.

O acento indicativo de crase deverá ser mantido ao substituir o sublinhado em “... o besugo é um peixe associado à boa sorte...” por:


A

Mar do Japão.


B

Qualquer tipo de sorte.


C

Alimentação saudável.


D

Pescados no Japão.