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Leia o texto, para responder às questões de números 03 a 10.
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A ciência do aprendizado
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Não é todo dia que acontece, mas, de vez em quando, disciplinas com sólido pedigree* nas humanidades passam por uma recauchutagem e se aproximam das ditas ciências duras.
Foi assim com a linguística. Até há pouco encravada nos departamentos de letras das universidades, a linguística tornou-se uma ciência que comporta sofisticadas análises estatísticas.
Algo parecido parece estar acontecendo com a pedagogia, e um dos responsáveis por isso é o neurocientista francês Stanislas Dehaene, autor cujos livros não canso de elogiar. O mais recente deles, “How We Learn” (como aprendemos), não é exceção.
O processo de “cientificização” da pedagogia não começou ontem. Já há algum tempo, por tentativa e erro e muita pesquisa de avaliação, compusemos um bom catálogo do que funciona melhor e pior na educação.
A novidade é que trabalhos como os de Dehaene agora permitem explicações mais fundamentais, no nível biológico, para esses achados. O autor destrincha cada pedacinho do cérebro para explicar, por exemplo, por que a alfabetização de uma criança não pode dispensar o ensino explícito do jogo entre letras e sons que caracteriza nosso sistema de escrita.
As elaboradas descrições neurocientíficas não afastam Dehaene da perspectiva da prática. Ele mostra, entre outras coisas, por que um ensino eficaz exige um pouco de decoreba (é preciso liberar espaço na memória de trabalho para resolver problemas) e muito sono (é com os sonhos que consolidamos as cognições).
Há espaço para alguns paradoxos: submeter o aluno a testes é importantíssimo, mas as notas podem ter consequências funestas (fazer provas ajuda a organizar o conhecimento, mas notas genéricas, que não detalham as deficiências apresentadas, funcionam muito mais como uma fonte de estresse do que como um sistema de “feedback” de erro, este sim fundamental).
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(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 22.11.2020. Adaptado)
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* pedigree: nessa acepção, refere-se à origem, produzindo a ideia de disciplinas consolidadas no meio acadêmico.
Os verbos destacados na passagem do 5o parágrafo – O autor destrincha cada pedacinho do cérebro para explicar, por exemplo, por que a alfabetização de uma criança não pode dispensar o ensino explícito... – têm como sinônimos adequados ao contexto
detém-se em cada pedacinho; negligenciar o ensino.
investe em cada pedacinho; depreciar o ensino.
esmiúça cada pedacinho; prescindir do ensino.
questiona cada pedacinho; abrir mão do ensino.
analisa cada pedacinho; comprometer o ensino.