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Leia o texto para responder as questões 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07 e 08.
O Navio Negreiro
Castro Alves
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
(...)
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Considerando que a linguagem metafórica é predominante na maioria dos textos literários, esse fragmento do poema Navio Negreiro é
um discurso poético carregado de figuras de linguagem como metáforas e hipérboles.
um relato de acontecimentos absurdos que ocorreram com os escravos, por isso há a presença constantes de eufemismos.
uma crônica que mostra o dia a dia dos escravos num navio e o confinamento que é apresentado por perífrases e antíteses.
uma poética subjetiva que apresenta informações sobre a época da escravidão e a falta de liberdade dos negros, o que é marcado pelas metonímias no texto.