

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Leia o texto e assinale o que for pedido no comando das questões.
BOLA FORA
Proibir a entrada da torcida adversária nos estádios não acabará com a violência no futebol.
Renata Lucchesi
Na definição romântica do paraibano José Lins do Rego, em crônica de 1945, "o futebol é como o carnaval, um agente de confraternidade. Liga os homens no amor e no ódio". Aos olhos de hoje, seria mais conveniente dizer que desune, e quase sempre apenas no ódio. Se há algo em que o Brasil trincado pela política se mostra ainda mais dividido, apesar das aparências, é o futebol. No domingo 3, dia de clássico paulista entre Palmeiras e Corinthians, confrontos entre torcedores se espalharam pela região metropolitana de São Paulo, antes e depois da partida. Em um deles, um homem que não participava da briga foi atingido por um tiro no coração e morreu. A tragédia motivou a decisão da Secretaria de Segurança Pública do Estado de instituir três novas medidas, válidas até 31 de dezembro deste ano: os clássicos terão torcida única, os clubes não poderão fornecer ingressos aos grupos organizados (caso da Mancha Alvi Verde, do Palmeiras, e da Gaviões da Fiel, do Corinthians) e será proibida a entrada de adereços, camisas ou faixas que os identifiquem como tais.
As medidas são inócuas, e mais do que isso: elas iluminam a incapacidade do Estado de evitar a violência. Uma pesquisa coordenada pelo sociólogo Mauricio Murad, da Universidade Salgado de Oliveira, revela que 80% dos conflitos entre torcidas organizadas ocorrem fora dos estádios. "Uma medida que se restringe ao ambiente do estádio é imediatista, simplista", diz Murad. É irreal imaginar que as brigas entre torcedores desaparecerão. Há três saídas: punição, a curto prazo; prevenção, a médio; e reeducação, a longo.
Na Inglaterra, o torcedor flagrado em briga tem de ficar de três a dez anos afastado dos estádios. Para que se garanta o cumprimento da pena, ele deve permanecer em uma delegacia enquanto seu time joga ou entregar o passaporte cinco dias antes da partida, caso ela seja fora do país. Uma lei semelhante existe no Brasil, mas não é cumprida. A leniência produz aberrações. Três brigões identificados pela polícia no próprio domingo também estiveram envolvidos no caso da morte de Kevin Espada, atingido por um sinalizador disparado pela torcida corintiana em 2013 em Oruro, na Bolívia. Um deles é Helder Alves Martins, 20 anos, que assumiu a responsabilidade pelo disparo, mas fugiu para o Brasil antes de ser preso - a Justiça brasileira não puniu o garoto, então com 17 anos e protegido pelo anonimato legal. "Eu me sinto a pior pessoa do mundo", disse o assassino do menino boliviano, na época. "Não sei mais o que fazer da minha vida, me arrependo amargamente." Em menos de três anos, a impunidade fez Martins mudar de ideia.
Em: "As medidas são inócuas, e mais do que isso: ( ... )", o fragmento "mais do que isso" está no grau:
comparativo de inferioridade.
superlativo absoluto.
comparativo de igualdade.
comparativo de superioridade.
superlativo relativo.