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Leia o texto para responder às questões 01 e 02.
Existe um relativo consenso de que inúmeras foram as transformações que alteraram, no último quarto de século, a geopolítica e a geoeconomia do mundo tal como foram organizadas depois do fim da Segunda Guerra, sob a égide da competição interestatal entre os Estados Unidos e a União Soviética. A grande divergência está na forma em que cada um interpreta o movimento mais geral, hierarquizando suas determinações e suas conseqüências. Para alguns, trata-se de conseqüência necessária e inapelável das transformações tecnológicas que, somadas à expansão dos mercados, derrubaram as fronteiras territoriais e sucatearam os projetos econômicos nacionais, promovendo uma redução obrigatória e virtuosa da soberania dos Estados. A partir daí, a própria globalização econômica e a força dos mercados promoveriam também uma homogeneização progressiva da riqueza e do desenvolvimento das nações, e para os mais otimistas, em algum tempo mais, um governo global, uma ''paz perpétua'' e uma ''democracia cosmopolita''. Não é necessário dizer que essa leitura dos acontecimentos reproduz a utopia liberal que desde o século XVIII vem anunciando e propondo, reiteradamente, esse mesmo objetivo terminal para a economia capitalista: um mercado global desvencilhado dos problemas impostos pelos particularismos nacionais e os protecionismos estatais.(José Luís Fiori, Correio Braziliense, 20/10/2000)
Assinale a opção que apresenta uma seqüência coesa e coerente para o texto.
E o que é essencial: essas transformações, que se aceleram a partir da década de 70, não suprimiram as leis de movimento e tendências de longo prazo do sistema capitalista.
E todas as grandes transformações do sistema capitalista envolveram, simultaneamente, decisões e mudanças no campo da concorrência e acumulação do capital e da luta e centralização do poder político
Nem sua forma de evoluir disruptivamente, impulsionados pelos movimentos simultâneos e interrelacionados da acumulação do poder e da riqueza, estimulados, a um só tempo, pela competição interestatal e pelas relações e conflitos de dominação entre os poderes dominantes e os grupos sociais e países subordinados.
Por isso, desde a constituição do capitalismo como um sistema econômico global e nacional, a um só tempo, e durante toda sua expansão, nos últimos cinco séculos, a partir da Europa do Norte, os estados territoriais e os capitais demonstraram a mesma vocação compulsiva e competitiva ao império e à globalidade.
Entretanto, essa velha utopia envelheceu e o fenômeno da globalização econômica não é uma imposição tecnológica, nem um fenômeno puramente econômico, pois envolve novas formas de dominação social e política que resultaram de conflitos, estratégias e imposição vitoriosa de determinados interesses, internacionais e nacionais.