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Texto LP-III – questões 47 e 48
A força da História
A História caprichosamente ofereceu aos brasileiros um símbolo de forte densidade, o de Tiradentes, para concretizar o mito do herói nacional. O lado generoso do chefe da rebelião anticolonial vem do transbordamento de seus objetivos, no sentido de tornar coletiva a aspiração de ruptura e de liberdade. Não apenas um ato de particular conveniência no mundo das relações humanas, mas uma articulação de vulto nacional.
Enquanto os ativistas da Inconfidência (Tiradentes o maior e o mais lúcido de todos) e os ideólogos lidavam com categorias universais, que pressupunham os interesses da coletividade brasileira, outros aderentes circunstanciais, os magnatas e os devedores da fazenda Real, ingressaram no processo de luta a fim de resguardar vantagens particulares.
Com efeito, a figura de Tiradentes implanta, na memória e no coração da nacionalidade, o sentimento de poder e de grandeza que torna cada um de nós um íntimo dos seres sobrenaturais, um parceiro dos deuses.
(Fábio Lucas, Luzes e trevas – Minas Gerais no século XVIII.
Belo Horizonte: UFMG, 1998, p. 150-1; com adaptações)
As idéias de "coletiva a aspiração de ruptura e de liberdade" (l. 5-6), "articulação de vulto nacional" (l. 8), "categorias universais" (l. 11) e "interesses da coletividade brasileira" (l. 11-12) desenvolvem e explicam a idéia de "transbordamento de seus objetivos". (l. 4-5).