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Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto em...

Texto para as questões de 1 a 10.


1 Nos jardins aprazíveis de sua casa na rua Charles-Dubois,

em Amiens, nos quais passeava religiosamente toda tarde,

Jules Verne descansava do seu trabalho que cumpria com

4 disciplina de burocrata. Homem do seu tempo, a racional

segunda metade do século XIX, ele foi marcado por sua

época, sobre a qual dizia triunfalmente numa entrevista à

7 jornalista inglesa Marie Belloc: “Nasci num tempo de

descobertas notáveis e de invenções maravilhosas”.

Enquanto pisava as folhas secas outonais, Verne

10 certamente não se incomodava com a dupla face do que

escrevia, essa mistura de romance de aventuras edificantes

com divulgação científica. Uma dicotomia que, mais tarde,

13 alimentaria uma das grandes e eternas polêmicas sobre

o gênero que ajudou a fundar: a ficção científica.

A controvérsia já começava no nome que rotulou

16 esse tipo de literatura. A certidão de batismo foi

providenciada pelo escritor e editor norte-americano Hugo

Gernsback. Ele criou o termo em 1923, que queria dizer,

19 segundo explicou, não só entretenimento e divulgação

científica, mas também a pintura de um retrato adequado

do futuro.

22 A briga entre mais ciência ou mais ficção no setor

nunca mais parou, a ponto de se ler na Science Fiction

Enciclopedy, de Peter Nichols, uma bíblia do gênero, o

25 verbete “predição”: “A mais disseminada das crenças sobre

a ficção científica entre o público em geral é que seja uma

literatura de predição. Pouquíssimos escritores aceitaram

28 isso alguma vez…”.

Não seria exagerado dizer que essa crença tem como

culpado Jules Verne. Ele era um compilador das

31 informações da ciência dos seus dias e, obedecendo

rigidamente à lógica e às regras científicas, extrapolava um

pouquinho só para fazer suas antecipações. Outro dos

34 chamados “pais” da ficção científica, o inglês Herbert

George Wells, e escritores posteriores partiram para voos

mais ousados da imaginação, sem ficarem presos à eventual

37 correção factual de suas invenções. Claro que, ao arriscar só

um bocadinho, Verne teve um quociente maior de acertos

de previsões.

40 No seu conhecido método de trabalho, Verne era um

pesquisador incansável. Tinha duas enormes mesas: sempre

cheia de mapas, uma, e de material de pesquisa, a outra.

43 Tudo servia para material dos seus livros: obras científicas,

revistas, teses, comunicações de cientistas, relatos de

viagem, coisas que ele passava laboriosamente para as vinte

46 mil e tantas fichas que colecionava. Daí, seu maior talento

funcionava: ele selecionava e somava informações,

partindo para a especulação sobre os dados coletados.

49 Costuma-se afirmar que a maior das predições de

Verne foi o submarino. Não é verdade. Quando o Náutilus

do Capitão Nemo aparece no livro Vinte mil léguas

52 submarinas, de Verne, em 1870, já existiam submarinos. De

qualquer forma, Verne certamente pegava a tecnologia e as

descobertas de sua época e dava-lhes uma incrementada

55 que lhes conferia uma espécie de sobrevida futuro adentro.

O debate entre “científicos” e “ficcionistas” continua

em aberto. O problema é se a realidade insistir em

58 confirmar uma arrepiante frase de Verne em Cinco semanas

em um balão: “À força de inventar máquinas, os homens

acabarão sendo devorados por elas? Sempre imaginei que

61 o último dia do mundo seria aquele em que alguma imensa

caldeira, aquecida a 3 milhões de atmosferas, fará explodir

o nosso planeta”.


Geraldo Galvão Ferraz. Um futuro para o passado.

Internet: <https://revistacult.uol.com.br> (com adaptações).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto em que o emprego do sinal indicativo de crase independe da regência verbal ou nominal.


A

“à jornalista inglesa Marie Belloc” (linha 7)


B

“à lógica” (linha 32)


C

“às regras científicas” (linha 32)


D

“à eventual correção factual de suas invenções” (linhas 36 e 37)


E

'À força de inventar máquinas’ (linha 59)