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Sê maldito, e sozinho na terra;Pois que a tanta vileza...

Texto para as questões 47 a 54


I-Juca Pirama


(Gonçalves Dias)


VIII


“Tu choraste em presença da morte?

Na presença de estranhos choraste?

Não descende o cobarde do forte;

Pois choraste, meu filho não és!

Possas tu, descendente maldito

De uma tribo de nobres guerreiros,

Implorando cruéis forasteiros,

Seres presa de vis Aimorés.


“Possas tu, isolado na terra,

Sem arrimo e sem pátria vagando,

Rejeitado da morte na guerra,

Rejeitado dos homens na paz,

Ser das gentes o espectro execrado;

Não encontres amor nas mulheres,

Teus amigos, se amigos tiveres,

Tenham alma inconstante e falaz!


“Não encontres doçura no dia,

Nem as cores da aurora te ameiguem,

E entre as larvas da noite sombria

Nunca possas descanso gozar:

Não encontres um tronco, uma pedra,

Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,

Padecendo os maiores tormentos,

Onde possas a fronte pousar.


“Que a teus passos a relva se torre;

Murchem prados, a flor desfaleça,

E o regato que límpido corre,

Mais te acenda o vesano furor;

Suas águas depressa se tornem,

Ao contacto dos lábios sedentos,

Lago impuro de vermes nojentos,

Donde fujas como asco e terror!


“Sempre o céu, como um teto incendido,

Creste e punja teus membros malditos

E o oceano de pó denegrido

Seja a terra ao ignavo tupi!

Miserável, faminto, sedento,

Manitôs lhe não falem nos sonhos,

E do horror os espectros medonhos

Traga sempre o cobarde após si.


“Um amigo não tenhas piedoso

Que o teu corpo na terra embalsame,

Pondo em vaso d’argila cuidoso

Arco e frecha e tacape a teus pés!

Sê maldito, e sozinho na terra;

Pois que a tanta vileza chegaste,

Que em presença da morte choraste,

Tu, cobarde, meu filho não és.”

Sê maldito, e sozinho na terra;

Pois que a tanta vileza chegaste,

Que em presença da morte choraste,

Tu, cobarde, meu filho não és.”


Assinale a alternativa em que alterando-se a pessoa do discurso, tenha-se construído forma gramaticalmente aceita.


A

Sede malditos, e sozinhos na terra;

Pois que a tanta vileza chegastes,

Que em presença da morte chorastes,

Vós, cobardes, meu filho não sois.


B

Seja maldito, e sozinho na terra;

Pois que a tanta vileza chegai,

Que em presença da morte chorai,

Você, cobarde, meu filho não é.


C

Serde maldito, e sozinho na terra;

Pois que a tanta vileza chegastes,

Que em presença da morte chorastes,

Vós, cobarde, meu filho não serdes.


D

Sejas maldito, e sozinho na terra;

Pois que a tanta vileza chegastes,

Que em presença da morte chorastes,

Vós, cobarde, meu filho não sois.