Imagem de fundo

“À evidência imposta, que presume que a única forma...

O Fórum Social Mundial e a crise da globalização


O Fórum Social Mundial (FSM) de Belém abre um novo ciclo

do movimento altermundialista. O FSM acontecerá na

Amazônia, no coração da questão ecológica planetária, e deverá

colocar a grande questão sobre as contradições entre a crise

5 ecológica e a crise social. Será marcado ainda pelo novo

movimento social a favor da cidadania na América Latina, pela

aliança dos povos indígenas, das mulheres, dos operários, dos

camponeses e dos sem-terra, da economia social e solidária.


Esse movimento cívico construiu novas relações entre o

10 social e o político que desembocaram nos novos regimes e

renovaram a compreensão do imperativo democrático.


Ele modificou a evolução do continente, mostrando a

importância das grandes regiões na globalização e diante da

crise de hegemonia dos Estados Unidos. O movimento

15 altermundialista deverá também responder à nova situação

mundial nascida da crise escancarada da fase neoliberal da

globalização capitalista.


O movimento altermundialista em seus diferentes

significados é portador de uma nova esperança nascida da

20 recusa da fatalidade. É esse o sentido da afirmação “um outro

mundo é possível”. Não vivemos nem “o fim da História” nem “o

choque de civilizações”.


A estratégia desse movimento se organiza em torno da

convergência dos movimentos sociais e pela cidadania que

25 enfatizam a solidariedade, as liberdades e a paz. No espaço do

FSM, eles comparam suas lutas, práticas, reflexões e propostas.

E constroem também uma nova cultura política, fundada na

diversidade, nas atividades autogeridas, na partilha, na

“horizontalidade” em vez da hierarquia.


30 Ao longo dos fóruns, uma orientação estratégica se

consolidou: a do acesso aos direitos fundamentais para todos.

Trata-se da construção de uma alternativa à lógica dominante,

ao ajustamento de todas as sociedades ao mercado mundial por

meio da regulação pelo mercado mundial de capitais.


35 À evidência imposta, que presume que a única forma

aceitável de organização de uma sociedade é a regulação pelo

mercado, podemos opor a proposta de organizar as sociedades

e o mundo a partir do acesso para todos aos direitos

fundamentais. Essa orientação comum ganha sentido com a

40 convergência dos movimentos e se traduz por uma nova cultura

da transformação que se lê na evolução de cada um dos

movimentos.


Os debates em curso no movimento enfatizam a questão

estratégica. Ela põe em relevo o problema do poder, que remete

45 ao debate sobre o Estado, e atravessa a questão dos partidos e

do modelo de transformação social, assim como dos caminhos

do desenvolvimento.


O movimento altermundialista não se resume aos Fóruns

Sociais, mas o processo dos fóruns ocupa de fato uma posição

50 especial.


O movimento altermundialista não deixa de expandir e de se

aprofundar. Com a expansão geográfica, social, temática, viu

sua força aumentar consideravelmente em menos de dez anos.


No entanto, nada está ganho, mesmo que a crise em muitos

55 aspectos confirme várias de suas análises e justifique seu

chamado à resistência.


O movimento altermundialista é histórico e prolonga e

renova os três movimentos históricos precedentes: o da

descolonização – o altermundialismo modificou em

60 profundidade as representações norte-sul em proveito de um

projeto mundial comum; o das lutas operárias – desse ponto de

vista, está comprometido com a mudança rumo a um

movimento social e pela cidadania mundial; e o das lutas pela

democracia a partir dos anos 1960-1970 – é um movimento pela

65 renovação do imperativo democrático após a implosão dos

Estados soviéticos em 1989 e as regressões representadas

pelas ideologias e doutrinas de segurança / militaristas /

disciplinares / paranoicas. A descolonização, as lutas sociais, o

imperativo democrático e as liberdades constituem a cultura de

70 referência histórica do movimento altermundialista.


O movimento altermundialista se vê diante da crise da

globalização capitalista em sua fase neoliberal. Essa crise não é

uma surpresa para o movimento; ela estava prevista e era

anunciada há muito tempo.


75 Três grandes questões determinam a evolução da situação

em escala mundial e marcam os diferentes níveis de

transformação social (mundial, por região, nacional e local): a

crise ecológica mundial, que se tornou patente, a crise do

neoliberalismo e a crise geopolítica com o fim da hegemonia

80 dos Estados Unidos.


A crise de hegemonia norte-americana aprofunda-se

rapidamente. A evolução das grandes regiões se diferencia: as

respostas de cada uma à crise de hegemonia norte-americana

são muito diferentes. A luta contra a pretensa guerra entre

85 civilizações e contra a tão real guerra sem-fim constitui uma das

prioridades do movimento altermundialista.


A fase neoliberal parece ofegante. A nova crise financeira é

particularmente grave. Não é a primeira crise financeira deste

período (outras ocorreram no México, Brasil, Argentina etc.) nem

90 é suficiente para sozinha caracterizar o esgotamento do

neoliberalismo.


A consequência das diferentes crises é mais singular. A crise

financeira aumenta as incertezas a respeito dos rearranjos

monetários. A crise imobiliária nos Estados Unidos revela o

95 papel que o superendividamento exerce, bem como suas

limitações como motor do crescimento. A crise energética e a

climática revelam os limites do ecossistema planetário. A crise

alimentar, de gravidade excepcional, pode pôr em xeque os

equilíbrios mais fundamentais.


100 O aprofundamento das desigualdades e das discriminações,

em cada sociedade e entre os países, atinge um nível crítico e

repercute na intensificação dos conflitos e das guerras e na

crise de valores.

(...)

(Gustave Massiah. Le Monde Diplomatique Brasil, janeiro de 2009)

“À evidência imposta, que presume que a única forma aceitável de organização de uma sociedade é a regulação pelo mercado, podemos opor a proposta de organizar as sociedades e o mundo a partir do acesso para todos aos direitos fundamentais.” (L.35-39)


As ocorrências da palavra QUE no trecho acima são classificadas como:


A

conjunção integrante e conjunção integrante.


B

pronome relativo e conjunção integrante.


C

pronome relativo e pronome relativo.


D

conjunção subordinativa e conjunção subordinativa.


E

conjunção integrante e pronome relativo.