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A respeito do substantivo “gente” empregado em “Se for para...

Fé, calma e sabedoria contra o caos: o que recomenda o líder indígena Ailton Krenak


Autor de 'Ideias para adiar o fim do mundo', Ailton Krenak debateu-as em BH, durante o Encontro Internacional Arte, Cultura e Democracia no Século 21


Ana Clara Brant


1Em 1987, no contexto das discussões da

2 Assembleia Constituinte, o líder indígena,

3 ambientalista e escritor Ailton Krenak fez um

4 gesto que entrou para a história. Em sinal de

5 luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos

6 indígenas, ele pintou o rosto de preto com

7 pasta de jenipapo enquanto discursava no

8 plenário do Congresso Nacional, em Brasília.

9 “Se for para repetir esse gesto, tomara que

10 seja com mais gente. Um homem sozinho não

11 consegue nada. Mas não adianta ficar

12 estressado, angustiado. Mesmo diante desse

13 caos, precisamos não perder a fé e a calma.

14 É preciso resolver as coisas com sabedoria”,

15 afirma Krenak, que esteve em Belo Horizonte

16 na quinta-feira passada (22), como convidado

17 do Encontro Internacional Arte, Cultura e

18 Democracia no Século 21, promovido pela

19Prefeitura.


20 Apesar do tom sereno, Krenak não esconde a

21 preocupação, sobretudo com relação às mais

22 recentes tragédias ambientais, como as

23 queimadas em curso na Amazônia. “A

24 Amazônia é um bioma complexo e regulador

25 do clima e distribui chuvas, além de reciclar e

26 limpar o oxigênio do planeta. Os governos

27 europeus sabem dessa importância e por isso

28 estão se manifestando, preocupados com a

29 situação”, observa Krenak. Para os povos

30 indígenas, no entanto, a relação é outra. “É

31 como se fosse uma entidade à qual muitos

32 povos se sentem vinculados e na obrigação de

33 protegê-la.”


34 Embora valorize a preocupação dos

35 governantes europeus, o líder indígena avalia

36 que eles deveriam ter tomado decisões em

37 relação à proteção da Amazônia há muito

38 tempo, como a suspensão das importações de

39 carne de boi, de frango, soja e minério. “A

40 pecuária, a mineração, tudo isso está

41 devastando nossas paisagens, nosso meio

42 ambiente. França, Alemanha e outros países

43 deveriam colocar alguma restrição na hora de

44 importar esses produtos. Já que nosso

45 presidente decidiu avacalhar tudo, ele mesmo

46 poderia fazer algo nesse sentido. Proibir a

47 venda dessas mercadorias, por exemplo”,

48 sugere.


49 Krenak é pessimista com as perspectivas do

50 governo de Jair Bolsonaro. Particularmente,

51 ele se refere ao presidente como Nero, o

52 imperador romano famoso por ter incendiado

53 Roma. “Vivemos um período crítico, com

54 ameaças aos direitos humanos, à ideia do

55 Estado de direito. Enquanto existir esse

56 governo agredindo o senso comum,

57 desrespeitando tudo e todos, desmantelando

58 a infraestrutura de governança que recebeu, a

59 gente não tem esperança nenhuma de

60 melhorar. Mas temos que seguir firmes, fortes

61 e resistentes”, afirma.


62 Atualmente morando em Resplendor (MG), às

63 margens do Rio Doce, região de origem dos

64 Krenak, ele lamenta as condições a que seu

65 povo está submetido, principalmente após o

66 rompimento da barragem da Samarco, em

67 2015. “Ainda estamos sentindo os efeitos.

68 Estamos refugiados dentro de casa, como se

69 fosse um acampamento dentro do nosso

70 próprio território. Temos caminhão-pipa

71 trazendo água, os animais sendo alimentados

72 com ração. Infelizmente, o Rio Doce ainda vai

73 demorar muito para voltar a ser uma fonte de

74 subsistência. Ouso dizer que ele está pior do

75 que o Arrudas.”


76 Enquanto isso, o líder indígena segue a

77 filosofia de sua etnia, com a “cabeça na

78 terra”, que é o significado da palavra Krenak.

79 “Cada cultura tem a sua maneira de orar. No

80 nosso caso, a gente se ajoelha e coloca a

81 cabeça na terra para se ligar a ela, fazendo

82 contato com esse planeta tão maravilhoso. É

83 assim que temos que continuar.”



Disponível em:

https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/08/

25/interna_cultura,1079473/fe-calma-e-sabedoriacontra-o-caos-o-que-recomenda-lider-indigena.shtml.

Acesso em 19/10/2019.

A respeito do substantivo “gente” empregado em “Se for para repetir esse gesto, tomara que seja com mais gente.” (linhas 9-10), é correto afirmar que o substantivo


A

inclui, em seu significado, o falante, logo equivale ao pronome “nós”.


B

equivale semanticamente a “algumas pessoas”.


C

apresenta significado equivalente ao do termo sublinhado na frase “…a gente não tem esperança nenhuma” (linhas 58-59).


D

apresenta significado equivalente ao do termo sublinhado na frase “No nosso caso, a gente se ajoelha” (linhas 79-80).