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No período “É preciso ser curioso pela vida – ou com a...

Texto para os itens de 1 a 9.


1 ____ A pergunta “O que tem vida?” é disparadora de um tema a ser estudado em sala de aula. As crianças, primeiro, são

convidadas a dizer o que elas entendem por vida numa exploração de espaço proposto. Nada de conhecimento científico nessa

etapa. Vale o saber popular, ou o senso comum. Aquele de que fala Rubem Alves em seus textos no livro Filosofia da Ciência,

4 onde cita o exemplo da dona de casa que vai à feira e precisa acessar todos os seus conhecimentos para fazer dinheiro e lista de

compras caberem num mesmo carrinho. Crianças precisam acessar conhecimentos prévios para pensar sobre a vida. Elas

pensam nas plantas, na fotossíntese, no alimento, no sol, na água e nos espaços que habitam vida. Até mesmo nas bactérias.

7 Ah, as bactérias… como podem ser tão perturbadoras.

Crianças pensam. Pensam muito. Levantam inúmeras hipóteses e procuram sentidos e intersecções entre elas. “Eu

coloquei abelha e mosquito na mesma linha porque imaginei que, como são insetos, eles têm alguma relação”, uma diz. “Eu fiz

10 a mesma coisa com fruto e fruta porque acho que são quase a mesma coisa, mas não são”. E pela procura de respostas, elas

começam a classificar grupos e identificar relações – ainda que não tenham adquirido conceitos já ensinados pela professora.

De novo, como o exemplo de Rubem Alves em que a mesma dona de casa preenche um formulário e escreve sua profissão como

13 “dona do lar” sem que isso precise de uma formação. Uma pessoa comum, como milhares de outras, que carrega saberes.

Saberes que precisam de escuta. Porque existe um saber que o aluno já possui. Um conhecimento que precisa ser validado para

prosseguir. É de onde se parte. Porque, para aprender sobre a vida, não é preciso ter estereótipo de cientista. É preciso ser

16 curioso pela vida – ou com a vida. Feito quem carrega boas perguntas pelo percurso.

E da vida vão surgindo várias delas. Algumas com respostas, outras como hipóteses. Veja essa que linda (sim, linda):

“Ela se transforma tantas vezes que é uma suposição de vida”. “Ela” era uma semente de fruta. Encontrada no pé de uma árvore

19 de jambo, no pátio da escola. “Como essas coisas nos fazem estar vivas, talvez seja porque elas também tenham vida”, interpreta

outra aluna. “Essas coisas” são as frutas. Se a gente as come, se elas nos alimentam, elas carregam vida.

São todas evidências experimentais. Não são frutos de experiências dirigidas. São pura observação de contexto. Das

22 que os olhos nos trazem. Inegável que a prática desenvolva funções de conhecimento. E o que tem vida? ou O que é vivo? Numa

outra sala, um grupo de crianças respondeu que a biblioteca da escola tinha vida – ou era viva. E não porque havia pessoas ali

ou bactérias nas cadeiras e livros manuseados, mas porque existia vida naquele contexto. Naquele espaço. Uma concepção de

25 “estar vivo” que não é científica, nem biológica. É simplesmente viva.

Como a grandeza da palavra, ainda que tão pequena em extensão. Como a grandeza da pergunta disparadora aos

alunos. A vida dá margem e nos margeia por diferentes momentos, espaços e conhecimentos. E que bom que ela mesma nos

28 oferece a oportunidade de revisitá-la ao longo do crescer.

Porque, ainda que a vida tenha um começar e um terminar, existe um vão de oxigênio que está longe de ser ao acaso.

Às vezes, até é ciência, mas é senso comum também. Porque, antes de existir fora, por conceito, existe dentro, por vida. Feito

31 Gilberto Gil, que é capaz de melodiar a vida pela própria vida. Feito criança, que tem o privilégio de investigar a vida com lupa

na mão.

Carolina Delboni. O que tem vida? Internet: <//emais.estadao.com.br> (com adaptações).


Em relação à tipologia do texto, às ideias nele expressas e a seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 7.

No período “É preciso ser curioso pela vida – ou com a vida” (linhas 15 e 16), o sujeito da primeira oração é indeterminado.


C

Certo


E

Errado