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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 5.
Somos livres ou determinados?
1-------------Quando nos referimos ao conceito de liberdade, podemos fazê-lo a partir de diversas perspectivas.
2----Há os que descreem da possibilidade de escolha livre e outros para quem uma pessoa livre é aquela que
3----pensa e age por si própria, que não é constrangida a fazer o que não deseja nem é escrava ou prisioneira
4----de seu destino.
5-------------Na tradição filosófica em geral, desde os gregos até a idade moderna, enfatizou-se a liberdade
6----humana absoluta, teoria segundo a qual teríamos a possibilidade de escolher agir de um modo ou de outro,
7----independentemente das forças que nos constrangem. Ela defende que o livre arbítrio tem um papel
8----fundamental para a existência de liberdade incondicional. De acordo com essa perspectiva, ser livre é
9----decidir e agir como se quer, sem determinação causal, seja exterior (ambiente em que se vive), seja interior
10--(desejos, motivações psicológicas, caráter). Mesmo admitindo que tais forças existam, o ato livre
11--pertenceria a uma esfera independente em que se realiza a liberdade humana. Ser livre é, portanto, ser
12--incausado.
13-----------Já segundo o determinismo científico, tudo que existe tem uma causa. O mundo explicado pelo
14--princípio do determinismo é o mundo da necessidade, e não o da liberdade. Necessário significa tudo aquilo
15--que tem de ser e não pode deixar de ser. Nesse sentido, necessidade é o oposto de contingência, que
16--significa “o que pode ser de um jeito ou de outro”. A consequência dessa visão é que ela nega quase
17--completamente a liberdade humana e coloca fatores físicos, químicos, biológicos, psicológicos, ambientais,
18--entre outros, como determinantes do comportamento humano.
19-----------Contemporaneamente, continuam as tentativas de superar a oposição determinismo-liberdade, para
20--investigar em que medida o ser humano é determinado e livre. Na perspectiva dos pensadores
21--racionalistas, por exemplo, privilegia-se a consciência moral como capacidade intelectual do conhecimento.
22--Segundo essa visão, não há como negar que o ser humano sofre influências da cultura que herdou e do
23--tempo e espaço em que vive. No entanto, por ser consciente, é capaz de conhecer esses
24--condicionamentos. A partir dessa consciência das causas (e não à revelia delas), é possível construir um
25--projeto de ação. Portanto, encontramos a liberdade no poder de transformação sobre a natureza do mundo
26--e sobre a própria natureza humana. A ação livre concretiza-se no trabalho do indivíduo como ser consciente
27--e prático.
28-----------No século XX, os filósofos da corrente fenomenológica tratam da questão da liberdade na tentativa
29--de superar a atinomia determinismo-liberdade. Para eles, a discussão sobre a liberdade não se completa no
30--plano de uma liberdade abstrata, nem conforme uma concepção racionalista, que privilegie apenas o
31--trabalho da consciência, mas sim a partir da liberdade do sujeito encarnado, situado e capaz de relacionar-
32--se com o mundo e consigo mesmo.
ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2009. p. 236-241. (Adaptado).
Na frase “Contemporaneamente, continuam as tentativas de superar a oposição determinismo-liberdade” (linha 19), o termo destacado exerce a função sintática de
sujeito
objeto direto
objeto indireto
predicativo do sujeito
complemento nominal