Imagem de fundo

Ainda no âmbito da sintaxe – propriamente uma questão de...

Dia dos Morenos


– Mãe, você sabia que quinta-feira não vai ter aula?


– É, filha, eu sei...


A garota, de apenas cinco anos, se apressa na explicação:

– É porque quinta-feira é feriado. É o dia dos Morenos...

O Diálogo que intrigou a mãe ocorreu na semana passada.

Ao chamar o Dia da Consciência Negra assim, a criança, na

inocência de seu eufemismo involuntário, que

provavelmente ouviu de algum (inocente?), toca o nervo da

questão racial no Brasil.

Transformar a morte de Zumbi dos Palmares numa data

“morena” é um sintoma do nosso racismo cordial, sem

dúvida, mas também é uma forma de exaltar a mistura

étnica da nossa formação, o caldeirão biológico e cultural

em que borbulha nossa civilização mestiça.

Entre nós, a escravidão não foi um impedimento à

miscigenação. Mas tampouco a miscigenação impediu que

a herança brutal da escravidão sobrevivesse à Abolição,

impondo-se ainda hoje, depois de 120 anos, como fardo e

vergonha nacional.

Que ninguém de boa-fé subestime a exclusão de negros no

Brasil de hoje. A pesquisa publicada pela Folha oferece um

retrato abundante das nossas iniquidades. Entre os 10%

mais pobres do país, 68% são pretos e pardos. Não choca?

Uma inflamada discussão sobre cotas ganha corpo no país.

O tema é complexo. Penso que políticas de inclusão com

critérios de renda seriam socialmente mais eficazes e

menos traumáticas que as cotas raciais, vistas pela maioria

como “necessárias”, mas “humilhantes”.

O governo parece conduzir a questão com exagero

populista e excessos facilitários. Quantos alunos da rede

pública estão no ensino médio e não sabem escrever? O

“pobrema” é mais embaixo.

Mas o que chama a atenção nesse debate é a fúria de

certos militantes anticotas para negros. Esbravejam como

se um mundo – repleto de morenices e privilégios – fosse

se extinguir.


(Fernando de Barros e Silva. Dia dos morenos. Folha de S. Paulo.

24 de nov. 2008).

Ainda no âmbito da sintaxe – propriamente uma questão de regência –, podemos analisar, nos enunciados seguintes, a ocorrência do acento indicativo da crase.


1) Um governo demagogo costuma se referir à questões políticas com exagero populista. À essa realidade, muitos fazem críticas severas.

2) Políticas de inclusão, submetidas a critérios de renda, seriam socialmente mais eficazes que as cotas raciais.

3) À pesquisa publicada pela Folha foi atribuída uma grande responsabilidade, pois foram anunciadas, a tempo, mudanças significativas.

4) Frequentemente, o mercado financeiro se vale de vendas à prazo para incentivar o público à comprar mais.

5) O Encontro sobre ‘Políticas de inclusão racial’ acontecerá de 10 à 12 deste mês, de 8h00 às 12h00.


Está correto o uso do acento indicativo da crase, apenas, em:


A

2 e 3.


B

1, 2 e 3.


C

1, 2 e 4.


D

3 e 5.


E

4 e 5.