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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o Texto 1 a seguir para responder às questões que a ele se referem.
Texto 1
O poder do silêncio na comunicação verbal
1 Debussy disse “A música é o silêncio entre as notas”. Com a comunicação verbal não é diferente, pois, às
vezes, falamos mais com a eloquência do silêncio que propriamente com as palavras. A pausa silenciosa chega a
ser sedutora. Quando bem-feita, no final do pensamento, após inflexão de voz apropriada, constitui demonstração de
segurança, controle e domínio.
5 É nesse momento de silêncio, que pode ser apenas uma fração de segundo, que a comunicação mostra
seu encanto. As informações transmitidas são valorizadas. O ouvinte tem a oportunidade de refletir sobre a
mensagem que acabou de receber. Passa a existir expectativa sobre o que virá a seguir.
Se quem faz a pausa, conseguir naquele momento de silêncio manter contato visual com o interlocutor,
além de não quebrar a linha de comunicação que os mantêm ligados, se comporta como se estivesse,
10 silenciosamente, repetindo as informações importantes que acabou de pronunciar. Há assim uma valorização da
pausa e do silêncio.
A pausa silenciosa tem tanta influência no processo de comunicação que chega até a funcionar como
elemento de transição. Isto é, em vez de ligar as informações importantes com palavras ou expressões, a passagem
de uma parte da mensagem para outra é feita com o silêncio da pausa. Esse recurso, que possui valor estético
15 excepcional, facilita o entendimento, porque houve uma espécie de aviso de que nova informação estava para surgir,
cria expectativa e mostra como o assunto está evoluindo, caminhando, progredindo. E isso faz com que as pessoas
acompanhem com mais interesse e motivação o que está sendo exposto.
Para que alguém saiba se desenvolveu sua competência oratória, esse é um dos maiores indicadores — a
tranquilidade de ficar em silêncio durante os instantes de pausa. E como nos referimos a um dos maiores
20 indicadores, como curiosidade, os outros dois são: ouvir o som da própria voz e conseguir enxergar a fisionomia das
pessoas na plateia.
Quase todo mundo conhece a velha frase que já se tornou chavão: a palavra é de prata, e o silêncio é de
ouro. Essa frase tão conhecida ganha contornos especiais quando descobrimos que foi esculpida pela pena
primorosa de um dos mais extraordinários autores mundiais, Maurice Maeterlinck.
25 Esse escritor belga publicou um livro em 1896 que fala da importância do silêncio, “O tesouro dos
humildes”. Com esse trabalho conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1911. Em uma das passagens de sua
obra ele diz: “Dir-se-ia que a alma não tem face. Nós não nos conhecemos ainda, escrevia-me alguém que eu muito
amava; não tivemos ainda coragem de nos calar juntos”.
E para enfatizar mais a relevância do silêncio, Maeterlinck cultiva esta pérola literária: “As abelhas só
30 trabalham no escuro; o pensamento, no silêncio; e a virtude, no segredo”.
Rubem Alves foi outro que usou o brilhantismo do seu texto para enaltecer a exuberância do silêncio.
Quando esteve em um mosteiro suíço, esse teólogo, filósofo e psicanalista disse ter aprendido a importância de
permanecer calado. Segundo ele, durante os horários de refeição as pessoas não eram proibidas de falar, mas eram
econômicas nas palavras. E nas liturgias que se realizavam três vezes ao dia, todos permaneciam em silêncio
35 absoluto.
Revelou que ficar em silêncio durante as refeições, sem ter de conversar com quem estava ao lado, foi
para ele momentos de profunda reflexão e de encontro com a felicidade. Disse ainda que “Não basta o silêncio de
fora. É preciso silêncio dentro. A ausência de pensamentos. E aí, quando se faz silêncio dentro, a gente começa a
40 ouvir coisas que não ouvia”.
Shakespeare, em uma de suas peças mais encenadas e aplaudidas, Hamlet, escolhe como última frase
para fechar a história, dita pelo próprio Hamlet à beira da morte: “O resto é silêncio”. Érico Veríssimo se aproveitou
dessa mesma frase para o título de um de seus livros mais marcantes.
Ficar em silêncio enquanto ouvimos alguém falar é sinal de atenção, respeito e consideração. Ouvir em
45 silêncio, entretanto, não significa ficar impassível, inexpressivo. É preciso ter sempre uma audição interativa, como,
por exemplo, acenar levemente com a cabeça, levantar a sobrancelha como demonstração de que estamos
surpresos com certas informações, exclamar nos momentos em que o relato se torna mais efusivo. Dessa forma, nós
nos comunicamos bem sem que pronunciemos uma única palavra.
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/comunicacao-verbal-os-encantos-do-silencio/. Acesso em: 18 out. 2021. Adaptado.
O autor inicia sua argumentação usando uma
citação indireta.
referência.
citação direta.
epígrafe.
ironia.